domingo, outubro 23, 2011

O que virá depois da Líbia de Kadhafi

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Muamar Kadhafi

João Cruzué


A invasão do Afeganistão tinha uma sólida motivação: era lá que bin Laden organizava os atentados terroristas e treinava militantes da Al Qaeda para explodir o mundo. Tudo sob a bênção do Mulah Omar, um dos sogros de Osama. As torres gêmeas tinha acabado de cair.

A invasão do Iraque tinha um motivo sofismático. Mentira que nunca se tornou verdade. Sadan Hussein não escondia toneladas de gás mostarda ou coisa semelhante, que poderia ser usadas a qualquer momento contra Israel e outros alvos próximos. Também não tinha nenhum elo com a Al Qaeda. Na verdade, Bush filho, sob uma ONU crédula demais, quis mostrar ao Bush pai que poderia terminar com um serviço que não teve peito para fazer.

Agora a invasão da Líbia não tinha motivo algum. Uma simples autorização para guardar uma área de exclusão aérea, a coisa foi ficando tão desavergonhada, que ONU e OTAN fingiam que nada esta foi sendo extrapolada, extrapolada até bombardear várias cidades da Líbia. Franceses, Ingleses e Americanos deciram se unir para implantar algum tipo de imperialismo na Líbia.

O louco e extravagante Muamar Kadhafi, que livrou da falência muitas empresas europeias, que apareceu abraçado com muitos líderes do Ocidente, foi cassado e assassinado quando já estava preso. E pior, gritando e repetindo bem alto, sem parar: "Allah akbar" - que quer dizer, Deus é maior.

Até aí não nada de novo.

Mas quero ver o dia que a China começar a fazer a mesma coisa que a União Soviética fez no passado, embalada pelas invasões atuais. Não haverá nenhuma reserva moral no Ocidente para dizer um "a". Na minha opinião, os "líderes" ocidentais estão passando um recibo perigoso e definitivo.

Eu tenho um mau presentemento. Assim como começou o século passado, está começando também o século XXI. E por ironia do destino, é o capital do Ociente que está financiando e turbinando a China.


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2 comentários:

joão disse...

Oi João, tudo bem?

Não concordo 100% com essa visão do Ocidente patrocinar o neocolonialismo.

Veja bem. A tão afamada Guerra do Iraque, ao contrário do que muitos pensam, gerou mais prejuízos do que lucros à América. Em 8 anos de conflito, estima-se um gasto de 4 trilhões de dólares com as 2 guerras, isso sem levar em conta o gasto com as pensões pros militares feridos/mortos.

Nesse período, não houve petróleo que cobrisse os custos. Pelo contrário, com as guerras o barril disparou e ficou mais caro justamente pros americanos.

A invasão da Líbia. Antes, cabe um ajuste na oração. Não ocorreu invasão terrestre, apenas uma intervenção aérea.

A intervenção teve um motivo: acabar com a repressão generalizada feita por Khadafi aos revolucionários.

A meu ver essa intervenção não ocorreu nos outros países islâmicos da "Primavera Árabe" (e nem todos são árabes, diga-se de passagem) por motivos particulares: na Síria, pela sua proximidade de Israel. Naquela região qualquer movimento brusco pode ser uma catástrofe pra Israel. No Bahrein e Iêmen, pela sua proximidade da península arábica ou Irã, regiões instáveis nesse ponto.

O norte da áfrica é distante dos centros de problemas do Oriente Médio, e próximo demais da Europa. Uma crise humanitária neles poderia até afetar os países europeus mais próximos.

Aí entrou a velha máxima: quem tem casa, que cuide do seu quintal.

Atualmente nenhum país, mesmo potência, ocidental ou oriental, está em condições de bancar o imperialismo. Se você observar na História essa política agressiva sempre aconteceu em períodos de forte crescimento econômico, não em retração.

Por fim, China vs EUA. Os EUA tomaram emprestado da China para poder comprar produtos importados de onde? Da própria China! Os orientais basicamente emprestaram dinheiro para comprarem lá.

Eles são o maior credor dos EUA. Se alguém vai ser prejudicado com a queda dos EUA, esse alguém com certeza é o povo da Terra do Meio (China).

até mais, e Deus o abençoe.

Cintia Kaneshigue disse...

oi S. João, escrevi sobre Kadafi tbm, um texto bem mais simplista, mas linkei com o do senhor!
abraços!