quarta-feira, novembro 02, 2011

A ressurreição de Lázaro e as promessas do Salmo 91

.
.
Lazaro
Quadro "A Ressureição de Lázaro"

João Cruzué

A pequena aldeia de Betânia nunca mais foi insignificante depois do milagre que Jesus operou na casa de Lázaro. Se até então a presença do Senhor no cenário politico-religioso de Jerusalém era desdenhada e considerada exótica, assim que Lázaro "acordou" depois de três dias morto, ela se tornou grande demais para ser desconsiderada. Mas, eu não quero meditar no assunto pelo ângulo político. Há coisas muito mais profundas e edificantes neste milagre que uma abordagem política. O milagre não chegou à casa de Lázaro aleatoriamente. Ele veio, ao meu ver, porque a casa de Lázaro estava na condição descrita pelo versículo 14, do Salmo 91.

A Bíblia diz que Jesus era amigo íntimo desta família. Em algum momento que desconheço, o Senhor passou a frequentar aquela casa; imagino que algum de seus discípulos os apresentara, ou mesmo, passando a caminho de Jerusalém, tivesse pousado ali, já por ser muito tarde. E foi por causa desta amizade que Jesus, fugindo de sérias ameaças de morte, voltou para cuidar de Lázaro.

Trazendo este fato para nossos dias, posso ver que vale muito a pena investir tempo para conversar com Jesus. Como você observou, evitei o uso do verbo "orar" e preferi um outro que denota diálogo. De alguma forma sei, que um dos caminhos que nos transportam à presença do Senhor é a oração. Nada novo, pois, era assim que Jesus fazia. Buscar a presença de Jesus. Se obedecermos seus mandamentos, primeira condição, quanto mais tempo passarmos com ele, mas da sua presença estará em nós. E para quê? Para que no dia "D", um dia da grande necessidade, sua voz não soar estranha aos ouvidos de Deus.

Jesus e os discípulos estavam fugindo de Jerusalém, depois daquele confronto com os judeus no Alpendre de Salomão. Confronto que poderia terminar em muitas pedradas e prisões. Iam se afastando, quando um mensageiro chegou e disse que Lázaro estava à beira da morte. Contrariando os conselhos dos discípulos, e esquecendo-se do perigo, deu meia volta por causa do amor que sentia por Lázaro. E por este amor, tudo o mais fora relevado como secundário.

Tenho recebido alguns emails de pessoas contando de situações desesperadoras. Alguns perguntando: E agora, confio no Senhor e espero ou jogo tudo para o alto?

Minha experiência de vida é bem pequena em relação a tantos cristãos, mas eu aprendi a servir ao Senhor tanto com o bolso cheio quanto vazio. Onze anos vazio, para ser exato.

O que eu posso dizer? Bem, a resposta está no Salmo 91, v.14, onde a providência de Deus está condicionada ao nosso amor por Ele.

Com certeza havia muitos "lázaros" moribundos ou mortos em Jerusalém e aldeias circun-vizinhas. Por que o milagre ficou restrito à casa de Lázaro? Há mais de uma resposta. Uma delas, porque era assim a vontade de Deus, mas vou ficar com a seguinte: A casa de Lázaro, inteira, amava Jesus e este amor não brotou apenas nos dias da ressurreição. Ele já havia fincado raízes há mais tempo.

No tempo da grande adversidade, em que o favor de Deus é um requisito imediato, há alguma coisa em nós ou em nossa casa que possa chamar a atenção de Deus em nosso favor - principalmente se formos conhecedores da sua palavra?

Bem, nunca é tarde para começar. E provamos nosso amor pelo Senhor quando procuramos nos achar envolvidos - sempre - com alguma coisa que agrada seu Espírito. E se ainda não sabemos no que nos envolver, é porque temos colocado a sua vontade em segundo ou terceiro planos.

Isso pode levar a um final muito triste. No dia que você estiver mais precisando, também ser deixado em segundo plano. É daí que vêm as desculpas de naufrágio na fé: "Orei, clamei, bati... mas como Deus não me ouviu , é porque não se importa."

A família de Lázaro amava Jesus. Uma das provas disso está registra em três livros do Evangelho. Houve um Jantar também em Betânia. Na casa de Simão, o leproso. Naquela oportunidade ela entrou com um vaso de alabastro nas mãos, e derramou o mais puro nardo nos pés de Jesus, e com os longos cabelos os enxugou. Interessante! Havia tantos discípulos, e só uma pessoa se colocou no centro da vontade de Deus para ungir o corpo de Jesus - ainda em vida.

Ungiu com um espírito voluntário. Sem interesses mesquinhos.

A ressurreição de Lázaro, se não foi o maior, foi um dos maiores milagres operados por Jesus. E ele eferveceu inteiramente a cidade de Jerusalém. Foi a última oportunidade que os Judeus tiveram para se reconciliar com Deus. Mas eles não estavam interessados em reconciliação.

O grande milagre da ressurreição de Lázaro não aconteceu em qualquer casa nem em qualquer família. Deus preparou o tempo, a hora e o lugar para atender um pedido de oração de uma casa que amava e honrava profundamente seu filho - o Senhor Jesus Cristo.

Jesus confrontou a morte para trazer Lázaro de volta à vida, para atender à vontade do Pai. E agora quero terminar este texto, citando os três últimos versículos do Salmo 91, onde a condiçãoda vitória da família de Lázaro está no versículo 14:

"14. Pois que tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em um alto retiro, porque conheceu o meu nome.

15. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei.

16. Dar-lhe-ei abundância de dias e lhe mostrarei a minha salvação!"



segunda-feira, outubro 31, 2011

Jesus Cristo é a verdade que liberta.

João Cruzué

O diálogo de Jesus com alguns fariseus no templo de Jerusalém, em João, oito, é muito muito esclarecedor. É possível perceber, ali, que o Espírito que havia em Jesus não comungava com o espírito dos fariseus, pois aquele diálogo foi muito difícil. Durante a conversa, alguns deles creram, mas Jesus olhou para os outros fariseus e disse: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

Jesus não estava falando com publicanos, nem com samaritanos, nem a gregos. Ele proferia essa palavra para nada mais nada menos que a elite politico-religiosa de Israel. Foram palavras duras, brandidas contra três pontos: pecado, escravidão e cegueira espiritual.

Os fariseus eram homens doutos, nascidos em berço religioso, ouviram a palavra desde bebezinhos e a maioria deles tiveram como mestres grandes rabinos. E mesmo assim há um diagnóstico estarrecedor: Jesus os chamou de filhos do diabo, porque tinham um desejo homicida em seus corações.

Quão distanciados de Deus estavam aqueles fariseus. Jesus falou sem reservas que eles eram escravos do pecado, mentirosos, filhos do diabo. Infere-se também no diálogo ríspido que aqueles fariseus eram o grupo que mais resistência oferecia ao ministério de Jesus, e por isso, naturalmente, o diagnóstico estava certo: Se eles faziam oposição cerrada, somente o diabo poderia estar por trás disso.

E a maior prova disso aconteceu mais tarde, quando o jovem fariseu Saulo de Tarso perseguia os cristãos para matá-los. Ele pensava que estava agradando a Deus, porém, desgraçadamente, não via que estava sendo manipulado pelo diabo. No seu encontro com a presença misericordiosa de Deus - literalmente caiu, como caem os endemoniados.

Os fariseus eram religiosos que pertenciam também a um partido políticos. Eram oposição em um Sinédrio governado pelos saduceus.

Fico imaginando a partir de que momento aqueles fariseus, entendidos em teologia, se tornaram filhos do diabo. Onde foi que desviaram?

Não foi da noite para o dia.

Envolvidos em conchavos e acordos políticos foram descendo de degrau em degrau, de mentira em mentira, de prevaricação em prevaricação, até se tornarem instrumentos à disposição do diabo. Eram exatamente eles, as pessoas que o diabo usava para fazer oposição a Jesus. E não só isso, como também ofendê-lo com palavras duras: endemoniado e bastardo. É só ler este capítulo de João para perceber isto.

Religiosos que deixaram seu ministério (contra a vontade de Deus) para defenderem (não a Igreja), mas os interesses pessoais de alguém em busca de poder e glória.

Não está sendo muito diferente dos líderes religiosos de nossa época. Quando os vejo andando com tanta desenvoltura nos meios políticos desta nação eu me pergunto preocupado: estarão andando sob a vontade de quem? Bem... isto o futuro cedo revelará.

Fico assombrado com a quantidade de pastores que estão deixando a frente do curral das ovelhas em busca de emoções menos nobres, seguindo o interesse político de de seus chefes. O projeto de evangelismo da Igreja, não vai bem. Não tenho visto entusiasmo. A vontade do Espírito Santo, eu sei, não mudou. Jesus disse no mesmo capítulo, v. 47, uma receita infalível: Quem é de Deus ouve as palavras de Deus. E os que lhe não dão ouvidos, a mim se me parecem homens desviados.

Dependendo do momento, é quase imperceptível notar a diferença entre a vontade de Deus, a nossa vontade e a vontade do diabo. Não há como descobrir no "cara ou coroa". Não está escrito na testa, mas no caráter. Algumas coisas dão para perceber sim: A liderança que sempre está na contramão da palavra de Deus é um mau sinal.

Eu vejo, mesmo, a Igreja Evangélica de meus dias muito interessada em política. Costurando muitos acordos. Fazendo muitos planos. Procurando os pastores mais populares para cooptá-los a serem candidatos a uma vaga promissora em uma função menor, de um reino menor ainda.

Da mesma forma, agiam os fariseus e saduceus do início da era cristã. Eles navegam com os pés em dois barcos. Igreja e mundo. E foi assim Eque eles trocaram a vontade de Deus por interesses pessoais. Foram bem menos resistentes que Jesus diante das insinuantes propostas da tentação no deserto.

Líderes escravizados. O pecado serviu de grilhões de uma corrente cuja ponta está nas mãos do diabo. Pensavam que poderiam servir dois senhores ao mesmo tempo, mas tinha perdido a vsião. Achavam-se livres, mas eram cativos. Caíram quando procuravam estabelecer a terceira via. Nem muito estreita e nem tão larga.

E diante deste contexto que Jesus profetizou: E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"


.