João Cruzué
Saul era um moço humilde, sem ambições,
quando teve um encontro com o profeta Samuel. E foi porque havia humildade em seu coração
que Deus o revelou para o profeta. No Capítulo 9 de I Samuel, versículo21, ele
não se via como grande, nem como merecedor do trono. Exatamente nesse estado que
ele foi ungido por capitão da sua herdade. Depois da unção, o Espírito do
Senhor veio sobre ele, mudando o seu coração (I Samuel 10:9) capacitando-o para
liderar e vencer batalhas. Isso deixa claro que a unção não depende de status,
mas de coração quebrantado e disponível.
Sob a orientação direta de
Deus, Saul experimentou vitórias reais e autoridade espiritual. Quando o
Espírito do Senhor vinha sobre ele, Saul era transformado, recebia ousadia e
discernimento, e liderava Israel com firmeza contra seus inimigos. Nesse
período, suas decisões eram acompanhadas de confirmação divina, mostrando que,
quando há direção do Espírito, o povo é protegido e o líder é fortalecido.
Enquanto Saul permaneceu
sensível à voz profética, sua liderança fluiu com equilíbrio. Ele ouvia Samuel,
respeitava os limites espirituais do seu chamado e reconhecia que a guerra era
do Senhor. No entendimento pentecostal, esse é o retrato de um líder que
governa debaixo da unção: não age sozinho, mas se submete à direção de Deus
antes de agir.
Contudo, Saul se mostrou
ansioso. E a ansiedade deu início do declínio de Saul quando deixou de esperar
no Senhor. Em Gilgal, dominado pelo medo e pela pressão das circunstâncias, ele
toma para si uma função que não lhe foi dada, agindo sem direção profética (I
Samuel 13:8 e 9). Aqui se percebe o começo de seu declínio em direção à queda. Primeiro,
vem esfriamento espiritual: Saul ainda queria o favor de Deus, mas já não
estava disposto a obedecer plenamente. A fé começa a ceder lugar à ansiedade.
É nesse ponto que o diabo
derruba a muitos. Tomar decisões sem a paz e calma do Senhor morando no
coração.
O segundo e mais grave passo a
continuação do declínio de Saul vem com a desobediência consciente na guerra
contra Amaleque. Ele escolhe obedecer apenas em parte e tenta espiritualizar
seu erro com justificativas religiosas (I Samuel 15:15). O entendimento é claro:
não existe obediência parcial diante de Deus; sacrificar nunca vai substituir o
obedecer.
A declínio espiritual é
progressivo. Nesta fase o Espírito do Senhor se afasta, e Saul passa a viver
atormentado interiormente. Onde antes havia ousadia, agora surge medo; onde
havia direção, nasce confusão. A ausência da presença de Deus não deixa vazio
neutro, um espírito maligno aparece e ocupa sorrateiramente seu lugar. Saul não
percebia, mas era visível a sua transformação. De moço humilde sem ambições, a
um rei iracundo sem direção de Deus.
A ascensão de Davi expõe o
coração já enfraquecido de Saul. Dando lugar ao espírito maligno, reage com
ciúme e perseguição ( I Samuel 16:14). O líder que antes protegia Israel agora
luta para mater sua posição. Saul desce, já não anda no Espírito mas na carne.
O fundo do poço espiritual
aparece na consulta à médium de En-Dor. Saul, que antes recebia direção por
meio do profeta, agora busca respostas em caminhos diabólicos. Esse ato revela
ruptura total: quando a voz de Deus é rejeitada repetidamente, o homem passa a
buscar orientação de qualquer fonte, inclusive maligna
A queda de Saul foi espiritual antes de ser militar. Ele morre derrotado no monte Gilboa, isolado e sem direção, apesar de ainda ocupar o trono. A lição espiritual é solene: quem abandona a obediência e a dependência do Espírito Santo perde primeiro a presença de Deus, depois a autoridade e, por fim, o propósito. Saul começou ungido, mas terminou vazio porque trocou intimidade com Deus pelo medo (ansiedade) e pelo orgulho.
Que nosso Senhor e Deus nos livre e guarde.
* Imagens criadas e editadas no GROK sob sugestão e instrução de João Cruzué.
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