sábado, janeiro 24, 2026

Saul, o Rei Ansioso


O Rei Saul*

João Cruzué

Saul era um moço humilde, sem ambições, quando teve um encontro com o profeta Samuel.  E foi porque havia humildade em seu coração que Deus o revelou para o profeta. No Capítulo 9 de I Samuel, versículo21, ele não se via como grande, nem como merecedor do trono. Exatamente nesse estado que ele foi ungido por capitão da sua herdade. Depois da unção, o Espírito do Senhor veio sobre ele, mudando o seu coração (I Samuel 10:9) capacitando-o para liderar e vencer batalhas. Isso deixa claro que a unção não depende de status, mas de coração quebrantado e disponível.

Sob a orientação direta de Deus, Saul experimentou vitórias reais e autoridade espiritual. Quando o Espírito do Senhor vinha sobre ele, Saul era transformado, recebia ousadia e discernimento, e liderava Israel com firmeza contra seus inimigos. Nesse período, suas decisões eram acompanhadas de confirmação divina, mostrando que, quando há direção do Espírito, o povo é protegido e o líder é fortalecido.

Enquanto Saul permaneceu sensível à voz profética, sua liderança fluiu com equilíbrio. Ele ouvia Samuel, respeitava os limites espirituais do seu chamado e reconhecia que a guerra era do Senhor. No entendimento pentecostal, esse é o retrato de um líder que governa debaixo da unção: não age sozinho, mas se submete à direção de Deus antes de agir.

Contudo, Saul se mostrou ansioso. E a ansiedade deu início do declínio de Saul quando deixou de esperar no Senhor. Em Gilgal, dominado pelo medo e pela pressão das circunstâncias, ele toma para si uma função que não lhe foi dada, agindo sem direção profética (I Samuel 13:8 e 9). Aqui se percebe o começo de seu declínio em direção à queda. Primeiro, vem esfriamento espiritual: Saul ainda queria o favor de Deus, mas já não estava disposto a obedecer plenamente. A fé começa a ceder lugar à ansiedade.

É nesse ponto que o diabo derruba a muitos. Tomar decisões sem a paz e calma do Senhor morando no coração.

O segundo e mais grave passo a continuação do declínio de Saul vem com a desobediência consciente na guerra contra Amaleque. Ele escolhe obedecer apenas em parte e tenta espiritualizar seu erro com justificativas religiosas (I Samuel 15:15). O entendimento é claro: não existe obediência parcial diante de Deus; sacrificar nunca vai substituir o obedecer.

A declínio espiritual é progressivo. Nesta fase o Espírito do Senhor se afasta, e Saul passa a viver atormentado interiormente. Onde antes havia ousadia, agora surge medo; onde havia direção, nasce confusão. A ausência da presença de Deus não deixa vazio neutro, um espírito maligno aparece e ocupa sorrateiramente seu lugar. Saul não percebia, mas era visível a sua transformação. De moço humilde sem ambições, a um rei iracundo sem direção de Deus.

A ascensão de Davi expõe o coração já enfraquecido de Saul. Dando lugar ao espírito maligno, reage com ciúme e perseguição ( I Samuel 16:14). O líder que antes protegia Israel agora luta para mater sua posição. Saul desce, já não anda no Espírito mas na carne.

O fundo do poço espiritual aparece na consulta à médium de En-Dor. Saul, que antes recebia direção por meio do profeta, agora busca respostas em caminhos diabólicos. Esse ato revela ruptura total: quando a voz de Deus é rejeitada repetidamente, o homem passa a buscar orientação de qualquer fonte, inclusive maligna

A queda de Saul foi espiritual antes de ser militar. Ele morre derrotado no monte Gilboa, isolado e sem direção, apesar de ainda ocupar o trono. A lição espiritual é solene: quem abandona a obediência e a dependência do Espírito Santo perde primeiro a presença de Deus, depois a autoridade e, por fim, o propósito. Saul começou ungido, mas terminou vazio porque trocou intimidade com Deus pelo medo (ansiedade) e pelo orgulho. 

Que nosso Senhor e Deus nos livre e guarde.


* Imagens criadas e editadas no GROK sob sugestão e instrução de João Cruzué.


SP-24/01/2026



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