quarta-feira, outubro 19, 2011

Mãos de Marta e coração de Maria

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Maria, Marta e Jesus.
João Cruzué
Ontem, quando
desci à sala para orar, um pensamento veio e eu pedi ao Senhor que falasse comigo. Ao abrir a Bíblia antes da oração, pude perceber que Deus falou. E como sempre gosto de fazer, vim até aqui para compartilhar. Pela primeira vez percebi um há um elo entre os fatos passados na casa de Marta e Maria e a parábola do bom samaritano.
-Senhor fala comigo pela sua Palavra, eu pedi. Há dias em que temos mais necessidades de orar que outros, e esta semana em especial, tem sido bem difícil, pois são vários os motivos para bater, buscar e pedir recurso onde se pode achar.Ao abrir a Bíblia, no final do capítulo 10 de Lucas, primeiro li o texto de Marta e Maria, depois continuei na parábola do bom samaritano. São palavras muito conhecidas, mas que ontem se inteligaram e fizeram-se novas para mim.
A preocupação de Marta era o serviço: Anda para lá, anda para cá; imagino: aranjando lenha, assoprando brasas do fogo, limpando as panelas, assando um pão, talvez depenando alguma ave, ou mesmo temperando um pequeno cordeiro. O tempo passava depressa, o dia ou noite chegando , e nada da ajuda de Maria.
Maria se esquecera completamente do serviço. Assentada aos pés de Jesus, (não havia nem cadeiras nem mesas altas naquele tempo e naquela cultura) ouvia com o coração ardendo o falar do Mestre. O tempo passava e ela não se cansava, como vez em quando ainda acontece em nossos dias, quando a presença do Senhor se faz muito forte em algum culto.
Marta estava preocupada em servir, e Maria esquecera-se de tudo porque ouvia, e ouvia, e queria mais ouvir as palavras do Senhor. Marta receosa de não dar conta do trabalho deu ordens ao Mestre: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude.
Comunicação é uma coisa boa; precisamos mesmo nos comunicar. Mas comunhão é algo muito mais profundo. Qualquer um pode comunicar-se, dizer bom dia, boa tarde, reportar o tempo; alguns podem orar acompanhados por uma hora, duas ou quem sabe até uma vigília inteira. Mas nem todos assuntos falados significam comunhão; isto é mais que sabido. Por exemplo: tenho duas filhas. Uma já se casou e a mais nova já tem namorado. Imagine que eu me assente à sala e passe a tarde inteira junto aos dois "segurando vela", como se diz em nossa cultura. Eles podem conversar assuntos os mais variados - mas nenhum deles vai ter a coragem necessária, por exemplo, para dizer "eu te amo".
Ano de 2011, século XXI - aqui estamos nós. Afadigados, preocupados, sem tempo, como diligentes Martas, quem sabe até dando ordens ao Senhor. É um corre-corre, um subindo-e-descendo, um ensaia-ensaia, um prega-prega, um canta-canta, um ensina-ensina... Domingo, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e chega o outro domingo. Estamos servindo? Sim! Estamos trabalhando? Sim! Estamos nos afadigando? Muito! Mas, por que estamos vazios e colhendo tão pouco?
Não temos mais tempo para comunhão com o Senhor. Não somos mais como um noivo/a apaixonado/a. Ele quer nos ouvir e também falar conosco, mas não temos mais tempo para isso. Estamos nos enganando ao pensar que se trabalharmos dez vezes mais seremos muito mais eficientes e a Igreja, o órgão ou departamento que cuidamos vai decuplicar de tamanho. Aí começamos a fazer besteiras, pois não conseguimos mais orientações com Deus.
A conseqüência disso pode ser entendida na mesma página da minha Bíblia. "Descia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de salteadores, que o despojaram, espancaram-no, deixando-o quase morto. E ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho um sacerdote, que vendo-o, passou ao largo. Eis que de igual modo, também passava um levita, que também o viu e passou ao largo.
Quem são o sacerdote e o Levita? Decerto que representam os que conhecem e ensinam palavra de Deus. Apressados, estressados com a fadiga do serviço do altar, não conseguem mais ouvir a voz do Senhor por falta de comunhão. Eles são como as mãos de Marta.
"Mas um samaritano que ia de viagem aproximou-se do ferido e vendo-o moveu-se de íntima compaixão". Talvez por ter sofrido no passado um ataque semelhante. "E aproximando-se, atou-lhe as feridas aplicando-lhes azeite e vinho. E pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. E partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, deu-os ao hospedeiro e recomendou-lhe: Cuida dele, e tudo o que mais gastares, eu to pagarei quando voltar". Aqui o temos um resultado diferente, pois atuaram em conjunto as "mãos" de Marta e o "coração" de Maria.
Os três personagens viram a mesma cena, mas suas atitudes foram inesperadas. Os dois primeiros julgaram que sua religião ou seus afazeres eram mais importante e tinham prioridade sobre um estranho caído no chão. O primeiro era um ministro a serviço do altar e segundo seu discípulo. Seus olhos não mais se comunicavam com o coração. Em algum lugar de suas vida eles perderam a compaixão e tornaram-se insensíveis à voz do Espírito que fala. Do samaritano poderia se esperar tudo, menos compaixão.
E foi assim que entendi antes de começar minha oração, que não importa quão engajados nós estejamos em grandiosos projetos aos olhos alheios ou dos nossos próprios, há uma grande multidão muda, surda e em grande miséria ao nosso redor. Se dermos prioridade as coisas que nos interessam e relegarmos ao secundário os momentos que precisamos passar a sós com Deus, necessários para ouvir a Sua voz e fazer a sua vontade, ficaremos irremediavelmente secos de compaixão.

Por isso, vamos colocar o título da mensagem na ordem correta: "Coração de Maria e mãos de Marta". Primeiro a comunhão e depois o serviço.




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domingo, outubro 16, 2011

A postura da Igreja Evangélica Brasileira face a Corrupção

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João Cruzué

Este é o
tipo de texto que você não vai ver no site de uma grande Igreja evangélica. E por que não vai? Porque suas lideranças "acham" que isto nada tem a ver com a missão da Igreja. Errado. É preciso sim tomar atitudes, ter um postura cristã, e romper com o silêncio da indiferença.

Por mais de 40 anos a inflação assolou o bolso das famílias brasileiras. Era o gafanhoto. Ele devorava o suor dos assalariados de tal maneira que chegou um tempo em que dormiam com um cruzeiro no bolso e acordavam com a metade dele. Até que chegou o mês de julho de 1994. De lá para cá, o dragão deixou de queimar o bolso dos brasileiros. Tenho certeza de que muitos pastores e muitos crentes oraram para que aquele dia se tornasse realidade. E assim foi.

Todavia, outra praga surgiu e tem se multiplicado exponencialmente: a corrupção na vida pública brasileira. Se antes ela era praticada na penumbra da noite, hoje ela é o substantivo abstrato que se tornou uma praga concreta, um câncer que se multiplica onde estiver o dinheiro público.

A moralidade? ora a moralidade... é uma virtude que se andasse nas casas políticas brasileiras estaria sujeita ao desprezo e à morte. O futuro de nossa nação está seriamente ameaçado. Todo dia, centenas de velhinhos, crianças, índios estão morrendo de fome e na miséria, porque algum larápio meteu a mão no dinheiro público que estava contado para atender com o pão e o remédio àqueles que têm extrema urgência de um ação do governo.

Está nos jornais de cada dia: Senador roubando; deputado roubando, prefeito roubando, policiais, magistrados. Acusações contra bispos e pastores. Um prevaricar sem fim e sempre crescente.

A corrupção é hoje, a maior praga que assola nossa nação. Legiões de demônios agem com desenvoltura espalhando a miséria através das mentes que só pensam em como se dar bem com o dinheiro público. Uma simbiose real sustentada no plano espiritual. Filhos de Can assalariados por satanás.

E diante de tudo isso, seguem indiferentes e omissas as lideranças das grandes Igrejas Evangélicas desta nação, ao arrepio de muitos personagens bíblicos que desciam a língua publicamente em governantes dignos de repreensão.

Perguntar faz parte da minha liberdade de expressão: Por que será que a Igreja Evangélica anda tão "caladinha" e não tem protestado com veemência contra estes malandros que matam os doentes e roubam o sustento dos órfãos e das viúvas quando metem a mão nos recursos públicos?

O silêncio destas lideranças - que deveriam usar o sal e a luz - é o maior incentivo para quem está roubando o dinheiro público. Porque neste caso específico, quem cala CONSENTE.

Orar apenas não basta. Agora não é tempo de orar, mas de agir.

A Igreja de Jesus não vai desaparecer, mas estas associações religiosas que estão aí pregando um evangelho de faz de contas vão ser motivo de escárnio da sociedade. É como o sal que perde o prazo de validade.

Esta talvez seja a maior oportunidade que a Igreja Evangélica já teve para evangelizar esta nação. A sociedade precisa de um paradigma. De um exemplo a seguir. Mas cadê a postura?