domingo, novembro 28, 2010

Porque há filhos de crentes no tráfico de drogas.

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A volta do filho pródigo

João Cruzué

Por que há filhos de crentes no meio da bandidagem e no tráfico de drogas? Aí está uma pergunta de resposta aparentemente fácil. Quem é que ainda não ouviu isso: "a maioria dos nomes dos presidiários brasileiros são nomes bíblicos. Afinal por que isso acontece? Será por falta de cuidados? tempo excessivo gasto na Igreja e negligência no cuidado dos pequenos? A primeira vista pode parecer um assunto de fácil dedução, mas eu descobri que não.

Uma das ilações mais ouvidas hoje  é: "A culpa é das mães dessas crianças que ficam orando em demasia dentro das Igrejas, enquanto seus filhos estão com más companhias do lado de fora. Excesso de oração e falta de acompanhamento do que eles fazem. Será?

Dona Nilza Maria é mãe de Diego Raimundo da Silva Santos - o braço direito do chefe de tráfico das favelas do Complexo do Alemão, o Luciano Pezão. Foi ela, uma senhora evangélica que junto com o filho pastor e alguns amigos crentes, convenceram o jovem a se entregar ao delegado do 6º DP., Dr. Luiz Alberto Cunha de Andrade.

O eletricista Ivanildo Dias Trindade, evangélico de 55 anos, também seguiu o exemplo de Dona Nilza e levou o filho Carlos Augusto, o Pingo, a se entregar à Polícia carioca. Também há uns dois anos, o padrasto daquele garoto que roubou o carro de uma senhora e arrastou o filhinho dela preso na porta do carro por alguns quilômetros - também era evangélico. Não há, portanto, nenhum segredo em dizer que há mesmo muitos filhos de crentes envolvidos na vida criminosa.

Para os que tenta explicar de uma maneira fácil esta questão, vamos ao seguinte fato: Deus criou o primeiro Casal: Adão e Eva, e eles geraram Caim e Abel. Caim foi o primeiro criminoso sobre a terra, segundo o que se lê nas Sagradas Escrituras. Onde foi que Adão e Eva erraram? Eles oravam demais? Iam a Igreja? Não tinham tempo para conversar com os filhos? Eram pessoas muito ocupadas? Para todas estas perguntas, eu creio que as respostas sejam a mesma: não!

Esaú o filho gêmeo de Isaque e Rebeca planejou a morte do irmão que lhe passou a perna no caso da bênção da primogenitura. O resultado foi que jurou de morte o irmão esperto: Jacob. Só não chegou a matá-lo, porque Deus interveio.

José, o primeiro filho de Jacob com Raquel, sofreu muito na mão dos irmãos. Foi amarrado, jogado num poço, vendido como escravo, acusado injustamente por uma mulher adúltera, preso, esquecido na prisão - e apesar de tudo isto, não se tornou um criminoso.

O Rei Davi, o homem que tinha um coração segundo Deus, foi o maior Rei sobre a nação de Israel. Um de seus filhos praticou um incesto com a irmã, outro filho vingou o incesto matando o irmão, e mais tarde se voltou contra o pai e tentou matá-lo, seguindo conselhos malignos.

O que estes fatos têm em comum? a contaminação da raça humana pelo pecado. Ele espreita bem de perto, principalmente as famílias dos crentes, para destruir, envergonhar, escandalizar e manchar de vergonha qualquer família cristã. Contra isso, só orações, jejum e muita conversa ao pé do ouvido com os filhos.

Não quero dizer com isso que a maioria dos casos de bandidagem entre os filhos de crentes está a falta de coragem dos pais em confrontar os filhos, fingindo que eles são bons meninos. Conheci um grande pastor perdeu três filhos assassinados. Todos eles envolvidos de alguma forma com más companhias. Estar atento ao que acontece com os filhos é o grande dever dos pais. Conheço também um caso bem sucedido. Pai e mãe cristãos trabalhavam de segunda à sábado. Os filhos ficavam com a avó e também na rua perambulando com outras crianças. Quando o pai descobriu que o filho de 04 anos pegava o ônibus do bairro para ir roubar brinquedos no Largo 13 de Maio, em São Paulo - ficou horrorizado. Tratou de mudar da capital para um lugar bem longe destas companhias. Sua drástica atitude evitou que aquela criança se tornasse um criminoso mais tarde.

Por que há filhos de pais crentes que envolvidos no tráfico de drogas e na bandidagem? Explicações há várias. E nenhuma delas seria suficiente para explicar 100% o fato. Há um fator no Brasil que não é intrínseco aos pais que traz grande dor de cabeça: nenhum adolescente pode trabalhar antes dos 16 e 18 anos. Eu pergunto: é fácil para um jovem de 18 anos aprender a trabalhar já quase adulto? É corretíssima a Lei que dispõe sobre a obrigação dos pais matricularem seus filhos na escola e mantê-los apenas estudando até os 18 anos. Por acaso os criminosos respeitam esta lei? Não, não respeitam. Eles exploram as necessidades destes adolescentes, geralmente sem dinheiro algum no bolso, para conduzi-los ao mau passo. O governo não deixa, mas há emprego garantido no tráfico para os filhos dos mais pobres.

A conclusão que chego é que, em alguns casos, a falha está na falta de amor dos próprios pais, que pensam que amar é somente passar a mão na cabeça dos filhos e fingir que não veem e não confrontam seus malfeitos. Em outros casos, há pais de conduta irrepreensível que possuem filhos criminosos. Uma atitude eu não posso negar: Deus confrontou Caim; Os irmãos de José foram confrontados com suas próprias consciências quando estiveram em apuros no Egito; Deus impediu o intento criminoso de Esaú quanto à Jacob. Davi só não perdeu a família toda para o diabo, porque se arrependeu e era um homem de oração. E por fim há um caso de grande exemplo na Bíblia para os pais que estão passando pela angústia de ter filhos criminosos: é o exemplo do Pai do filho pródigo. Se ele não fosse um pai amoroso nem tivesse um coração perdoador, seu filho caçula teria sido mal recebido e teria feito meia volta e fatalmente seria um criminoso.

Sempre houve e sempre haverá criminosos no meio de famílias decentes e honradas, como também no meio de famílias de cultura criminosa pode ter filhos que são corretos e trabalhadores. O que não pode acontecer é negar o perdão e um abraço amoroso para quem deseja recomeçar, nem deixar o filho morrer no crime sem confrontá-lo e aconselhá-lo a acertar as contas com a justiça. É uma situação muito difícil, que somente a misericórdia de Deus pode ajudar. O que não pode se esquecido é que os filhos são herança de Deus aos pais e que esta herança pode ser um suplício por uma falha de atitude dos pais: ou falta de oração, ou falta de encaminhar seus pequenos para a Casa de Deus, ou falta de amor por não corrigil-os antes que o diabo os leve à destruição. Que Deus nos guarde e aos nossos filhos também.







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A ocupação militar do Morro Alemão sob um olhar cristão


SP-18 novembro 2010
Alem
Hoje, no New York Times
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João Cruzué

A imprensa do mundo inteiro está repercutindo a operação de guerra lançada para re-estabelecer o poder do Estado em favelas da cidade do Rio de Janeiro. Esta foto não é da Guerra do Iraque nem de combates no Afeganistão, mas no Complexo do Alemão. As imagens do começo, meio e fim desta operação podem produzir um filme inteiro - sem necessidade de edição. Nome: Tropa de Elite 3. Quero refletir um pouco sobre o assunto, pois a ausência do Estado tem sido geral, não apenas no Rio de Janeiro, senão no Brasil todo.

Recentemente o PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento publicou no site em inglês ranking 2010 do IDH - Índice de Desenvolvimento Humano onde o "Brazil" aparece em 73º lugar [1]. Para um país que hoje é a oitava potência econômica mundial, estes números são um fiasco. O Brasil segue a reboque de Barbados(42) Chile(45), Argentina(46), Uruguai(52), Panamá(54), México(56) e até de Trinidad e Tobago(59). O que tem a ver estas estatísticas com o Morro do Alemão? Você vai ver já.

IDH2010


O Brasil é a maior "vaca" leiteira do mundo, alguém já disse isso. Em lugar de leite, remunera com os juros mais gordos os especuladores internacionais. Fico muito irritado com os economistas brasileiros de meia tigela, que adoram dar entrevistas para palpitarem a mesmice de sempre "Olha, eu estimo que o Copom vá aumentar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual; 0,75, 1,00 ponto percentual. "É preciso desacelerar a economia..." Correto. Muito bem, mas esta é a conversa mole de sempre. Não têm massa cinzenta para fazer outra coisa. E o superávit primário? é a garantia de pagamento desses juros. Primeiro vem a parte dos especuladores, dos agiotas, dos banqueiros, o que sobrar vai para o resto (Educação, Saúde, Investimentos em transportes públicos, em banda larga de internet, em gasolina mais barata...). Com isso, os recursos minguados que sobram da agiotagem não chegam desde o século XIX aos morros e favelas cariocas.

Não preciso ir ao Rio de Janeiro para me certificar da ausência do Estado entre os mais carentes. Tanto lá, como nas favelas da Zona Sul de São Paulo a presença esporádica do Estado aparece assim: 1) Bombeiros - para jogar água nos barracos depois do incêndio;
2) Tropa de choque - para baixar a borracha nos frequentadores de bailes funks no meio da rua; 3) Políticos - antes das eleições para repetir velhas promessas;
4) Um hospital de atendimento de urgências e emergências, onde quem entra em estado grave não sai mais , ou melhor, sai no rabecão.

Há 30 anos o Estado brasileiro está em grande débito com os moradores de favelas de suas Metrópoles. Foram três décadas perdidas com inflação alta e falta de emprego. Um dos piores momentos, foram os anos de 1991-1994. Primeiro quem investia na Indústria vendia tudo para aplicar no Opem Market ou no Overnight. Depois da "tarrafada" do Collor as empresas nacionais quebraram e o emprego desapareceu de vez. Voltou nos últimos oito anos, graças a Deus por causa da demanda chinesa. É uma vergonha dizer isto: Temos muito petróleo, não temos? Mas ainda compramos barris de óleo leve para refinar aqui. Somos os maiores exportadores de minéiro de ferro, não somos? Pois agora somos os maiores também em IMPORTAÇÃO de aço.

Voltando ao Rio. No final deste mes de novembro, estamos vendo o governador do Rio, Sr. Sérgio Cabral, levando a cabo uma operação, jamais realizada no país no pós-ditadura, para defenestrar os bandidos do tráfico do Complexo de favelas do Alemão e retomar o papel do Estado. Não creio que o que ficou abandonado por mais de 100 anos vá mudar agora só porcausa de uma Copa do Mundo. As favelas do Rio (e de São Paulo) não têm "Plano Diretor". Têm vielas, becos, escadas, onde seres humanos dividem o mesmo espaço com os ratos. Nada de reurbanização, nem acesso às melhores universidades públicas.

Se os governantes brasileiros tivessem mesmo aquilo que avermelha a face, não chamariam as melhores cabeças para os ministérios da área econômica, para sinalizar aos agiotas internacionais que o "deles" vai ser muito bem resguardado. Se tivessem vergonha na cara, colocariam os melhores dentre os melhores para cuidar da Educação e do Investimento em obras públicas. Pois assim este país vai sair da merda - com o perdão da palavra chula, mas que tem significado universal. Basta olhar a cor do Rio Pinheiros desde o Cebolão até a Represa Billings, passando pela nobreza do Jockey Clube de São Paulo, onde quem quiser, pode ver uma cascata de uns dois metros de altura, onde cai mais coisas além de água.

Não vou deixar de fora as Igrejas Evangélicas brasileiras, principalmente as pentecostais, que nasceram evangelizando os pobres, mas que hoje ficaram ricas e têm medo de subir as favelas e torcem o nariz para o cheiro dos pobres. Os projetos de reinserção social que propagandeiam são hipócritas - apenas para colocar na internet. Evangelização no Brasil, hoje, não funciona mais na base de palavras. É preciso muito mais que isso: de amor e atitudes. Se nas décadas passadas o Evangelho subia o morro e impedia milhares de jovens de entrar para o crime, hoje seus portadores estão com medo de sujar os sapatos. Estamos em tempos maus, onde o evangelho está sendo pregado na Televisão e entre as quatro paredes. O Ide mudou: agora é somente Vinde, e de preferência com o bolso cheio. O "Evangelho" pentecostal de hoje prefere Brasília aos becos de favelas.

Não estou aqui fazendo apologia do tráfico nem de traficantes nem de funkeiros que ligam o som de seus "poisés" com o que há de mais podre diante dos ouvidos das crianças da periferia. Não estou defendendo isso. Estou criticando a ausência do Estado brasileiro que não tem assumido seu papel nas favelas e periferias das Metrópoles. As piores condições de moradia, a falta de saneamento básico, falta de reurbanização, dificuldade centenária que impedia a graduação do jovem excluído à Universidade, hospitais que mais parecem açougues humanos - e um "monte" de outras coisas. Isto não se resolve com tanques, nem com carros blindados, nem com borracha nem com o Exército.

Quantos bilhões vão ser usados para construir estádios de futebol, que depois vão ficar às traças - com está acontecendo na África do Sul? Por que estão querendo torrar 40 bilhões de dólares no Projeto do Trem Bala que vai ligar Campinas ao Rio de Janeiro, canibalizando a ponte área? Por que o Palocci vai para a Casa Civil e não para o Ministério da Educação? Sabe porquê? Porque não há visão. E não me venha com papo de bolsa família nem inserção de miseráveis na baixa classe média. Essa gente desassistida precisa muito mais do que esmolas e publicidade enganosa. Precisa de um projeto de Educação na mão de um grande Gestor. Precisa de saneamento básico e reurbanização de favelas, precisa de moradias decentes que não desabem todo ano na estação das chuvas.


Satélite do Google Earth

A ocupação do complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro, é a evidência mais concreta do abandono dos seres humanos excluídos da sociedade. É a prova da ausência do papel do Estado nos morros e favelas do Rio. Se o Estado estive presente ali nos últimos 100 anos, não haveria tráfico, nem cooptação dos garotos das famílias entregues à miséria. Isto é uma vergonha centenária. Ocupação e bolsa família é muito pouco, pois está faltando tudo.


cruzue@gmail.com





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