domingo, março 16, 2008

Mãos de Marta e coração de Maria

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Maria, Marta e Jesus.
João Cruzué

Ontem, quando
desci à sala para orar, um pensamento veio e eu pedi ao Senhor que falasse comigo. Ao abrir a Bíblia antes da oração, pude perceber que Deus falou. E como sempre gosto de fazer, vim até aqui para compartilhar. Pela primeira vez percebi um há um elo entre os fatos passados na casa de Marta e Maria e a parábola do bom samaritano.

-Senhor fala comigo pela sua Palavra, eu pedi. Há dias em que temos mais necessidades de orar que outros, e esta semana em especial, tem sido bem difícil, pois são vários os motivos para bater, buscar e pedir recurso onde se pode achar.

Meu antigo companheiro, auxiliar dos meus tempos de "pastor" está fazendo quimioterapia. A esposa de outro amigo de muitos anos, também colega de ministério, jaz em um leito de UTI, há três meses. Seu cérebro foi muitíssimo danificado com três paradas cardíacas. Isso ainda não é tudo. Um antigo Pastor, dos meus tempos de jovem, está há mais de 12 anos em uma cadeira de rodas, deprimido. Não mais lê, deixou a fisioterapia, disse-me que apenas fecha os olhos e ora constantemente. Depois de ter sofrido um derrame, teima que só voltará à Igreja depois de curado e de uma forma maravilhosa. E já se passaram mais de 12 anos. Como pode notar, eu não conseguiria mesmo estar com a minha alma tranqüila diante dessas coisas tristes.

Ao abrir a Bíblia pude ler a página inteira do final do capítulo 10 de Lucas. Primeiro o texto de Marta e Maria, continuando na parábola do bom samaritano. São palavras muito conhecidas, mas que ontem fizeram-se novas para mim.

A preocupação de Marta era o serviço: anda para lá, anda para cá; imagino: aranjando lenha, assoprando brasas do fogo, limpando as panelas, assando um pão, talvez depenando alguma ave, ou mesmo temperando um pequeno cordeiro. O tempo passava depressa, o dia ou noite chegando , e nada da ajuda de Maria.

Maria esquecera-se completamente do serviço. Assentada aos pés de Jesus, (não havia nem cadeiras nem mesas altas naquele tempo e naquela cultura) ouvia com o coração ardendo o falar do Mestre. O tempo passava e ela não se cansava, como vez em quando ainda acontece em nossos dias, quando a presença do Senhor se faz muito forte em algum culto.

Marta estava preocupada em servir, e Maria esquecera-se de tudo porque ouvia, e ouvia, e queria mais ouvir as palavras do Senhor. Marta receosa de não dar conta do trabalho deu ordens ao Mestre: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude.

Comunicação é uma coisa boa; precisamos mesmo nos comunicar. Mas comunhão é algo muito mais profundo. Qualquer um pode comunicar-se, dizer bom dia, boa tarde, reportar o tempo; alguns podem orar acompanhados por uma hora, duas ou quem sabe até uma vigília inteira. Mas nem todos assuntos falados significam comunhão; isto é mais que sabido. Por exemplo: tenho duas filhas. Uma já se casou e a mais nova já tem namorado. Imagine que eu me assente à sala e passe a tarde inteira junto aos dois "segurando vela", como se diz em nossa cultura. Eles podem conversar assuntos os mais variados - mas nenhum deles vai ter a coragem necessária, por exemplo, para dizer "eu te amo".

Ano de 2008, século XXI - aqui estamos nós. Afadigados, preocupados, sem tempo, como diligentes Martas, quem sabe até dando ordens ao Senhor. É um corre-corre, um subindo-e-descendo, um ensaia-ensaia, um prega-prega, um canta-canta, um ensina-ensina... Domingo, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e chega o outro domingo. Estamos servindo? Sim! Estamos trabalhando? Sim! Estamos nos afadigando? Muito! Mas, por que estamos vazios e colhendo tão pouco?

Não temos mais tempo para comunhão com o Senhor. Não somos mais como um noivo/a apaixonado/a. Ele quer nos ouvir e também falar conosco, mas não temos mais tempo para isso. Estamos nos enganando ao pensar que se trabalharmos dez vezes mais seremos muito mais eficientes e a Igreja, o órgão ou departamento que cuidamos vai decuplicar de tamanho. Aí começamos a fazer besteiras, pois não conseguimos mais orientações com Deus.

A conseqüência disso pode ser entendida na mesma página da minha Bíblia. "Descia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de salteadores, que o despojaram, espancaram-no, deixando-o quase morto. E ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho um sacerdote, que vendo-o, passou ao largo. Eis que de igual modo, também passava um levita, que também o viu e passou ao largo.

Quem são o sacerdote e o Levita? Decerto que representam os que conhecem e ensinam palavra de Deus. Apressados, estressados com a fadiga do serviço do altar, não conseguem mais ouvir a voz do Senhor por falta de comunhão. Eles são como as mãos de Marta.

"Mas um samaritano que ia de viagem aproximou-se do ferido e vendo-o moveu-se de íntima compaixão". Talvez por ter sofrido no passado um ataque semelhante. "E aproximando-se, atou-lhe as feridas aplicando-lhes azeite e vinho. E pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. E partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, deu-os ao hospedeiro e recomendou-lhe: Cuida dele, e tudo o que mais gastares, eu to pagarei quando voltar". Aqui o temos um resultado diferente, pois atuaram em conjunto as "mãos" de Marta e o "coração" de Maria.

Os três personagens viram a mesma cena, mas suas atitudes foram inesperadas. Os dois primeiros julgaram que sua religião ou seus afazeres eram mais importante e tinham prioridade sobre um estranho caído no chão. O primeiro era um ministro a serviço do altar e segundo seu discípulo. Seus olhos não mais se comunicavam com o coração. Em algum lugar de suas vida eles perderam a compaixão e tornaram-se insensíveis à voz do Espírito que fala. Do samaritano poderia se esperar tudo, menos compaixão.

E foi assim que entendi antes de começar minha oração, que não importa quão engajados nós estejamos em grandiosos projetos aos olhos alheios ou dos nossos próprios, há uma grande multidão muda, surda e em grande miséria ao nosso redor. Se dermos prioridade as coisas que nos interessam e relegarmos ao secundário os momentos que precisamos passar a sós com Deus, necessários para ouvir a Sua voz e fazer a sua vontade, ficaremos irremediavelmente secos de compaixão.

Por isso, vamos colocar o título da mensagem na ordem correta: "Coração de Maria e mãos de Marta". Primeiro a comunhão e depois o serviço.


João Cruzué

http://olharcristao.blogspot.com
cruzue@gmail.com

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Células tronco


VINÍCIUS

Aos seis meses de idade, Vinícius é um bebê que adora papinha de mamão, já tenta sair sozinho do carrinho e dá sonoras gargalhadas durante o banho. O menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde no país. Pelos critérios da Lei de Biossegurança, seria um embrião indicado para pesquisas com células-tronco embrionárias.
Caio Guatelli/Folha Imagem
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Menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde.
Vinícius nasceu após quase 20 anos de tentativas de gravidez do casal Maria Roseli, 42, e Luiz Henrique Dorte, 41, de Mirassol (SP), que incluíram quatro fertilizações in vitro (FIV) e três abortos de gêmeos no terceiro mês de gestação. A mulher tinha endometriose e o marido, má qualidade dos espermatozóides, fatores que impediam uma gravidez natural.

Na última FIV, feita em 1999, Maria Roseli produziu nove embriões. Transferiu quatro para o útero, mas não engravidou. O casal decidiu então congelar os cinco embriões restantes. "Resolvemos dar um tempo. Não suportaria a dor de mais um aborto", relata a mãe.


IGREJA CATÓLICA - BRASIL
O cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, disse ontem em Toledo (PR) que se o STF (Supremo Tribunal Federal) ratificar a Lei de Biossegurança, que permite as pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, o Brasil poderá estimular um mercado informal de embriões.

"Se nada for feito, será questão de tempo chegar ao caos e nos deparar com o comércio de embriões", afirmou o líder religioso, que equipara a destruição de embriões ao aborto.

No campus da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Toledo, onde recebera o título de cidadão-honorário da cidade, Scherer defendeu a criação de comissões de bioética nas arquidioceses brasileiras. "É preciso uma reflexão sem paixão", disse.


SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - BRASIL
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, disse nesta sexta-feira (13) que o julgamento a respeito da liberação de pesquisas com células-tronco será apertado. Mello não quis antecipar sua posição e afirmou não acreditar que haverá um novo pedido de vista sobre o tema.

"O score [placar] vai ser muito apertado. Creio que teremos uma diferença de um a dois votos, em um sentido ou em outro. E eu espero que o sentido seja aquele mais harmônico com os interesses da sociedade em geral", declarou, depois de participar do encerramento do 2º Congresso Brasileiro de Direito de Seguros e Previdência, no Rio de Janeiro.

Embora diga que não espera um novo adiamento no processo, Mello admitiu que esta situação poderá voltar a ocorrer. Ele explicou que o caso deverá voltar a ser analisado no início de abril pelo STF.

"Os olhos durante esse período estarão muito abertos. Não acredito em pedido de vistas, mas poderá ocorrer. O colegiado é um somátório de forças distintas, e o Judiciário em si, às vezes, revela surpresas", acrescentou.


PESQUISAS - INGLATERRA
O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, enfrenta uma rebelião dos membros católicos de seu governo em torno do projeto de lei sobre pesquisas embrionárias e fertilidade, informa nesta sexta-feira o jornal "Daily Telegraph".

O governo trabalhista pediu a seus deputados disciplina de voto no tema e os ministros do governo estão normalmente sujeitos à responsabilidade coletiva na hora de votar um projeto de lei governamental.

No entanto, segundo o jornal, três ministros católicos, Des Browne (Defesa), Ruth Kelly (Transportes), e Paul Murphy (ministro para Gales), ameaçam não aceitar a decisão.

O projeto de lei, que será submetido à votação no Parlamento nos próximos dois meses, autorizará a criação, para fins de pesquisa, de embriões híbridos por meio de injeção de células ou DNA de animais em embriões humanos ou de células humanas em óvulos de animais.

O primeiro-ministro e o titular de Saúde, Alan Johnson, afirmam que a lei é vital para a pesquisa de novos tratamentos que permitam curar doenças como a fibrose cística ou doenças relacionadas aos neurônios.

A Igreja Católica se opõe, no entanto, à criação de embriões híbridos.

Fonte: Folha de São Paulo Online
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u380351.shtml


Leia Nossa opinião sobre pesquisa de células tronco publicada em 07/03/08.

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