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quinta-feira, janeiro 01, 2026

Salmo 116 - Teologia do Coração

 

Teologia do Coração

João Cruzué

É profundamente comovente ouvir alguém dizer "eu amo" não como uma declaração romântica ou casual, mas como o testemunho de quem foi resgatado. O salmista não começa sua história com doutrina ou teologia, mas com o coração exposto diz: "Eu amo o Senhor". E a razão é tão simples:  "porque Ele me ouviu". Às vezes, ser ouvido é tudo o que precisamos. Quando estamos afundando, quando a escuridão nos engole, não precisamos de discursos pedagógicos ou soluções instantâneas. Precisamos de alguém que escute nosso grito silencioso, inclinando-se em nossa direção.

As "cordas da morte" e "angústias do Sheol" carregam um peso que só quem já esteve lá consegue compreender. Existe um lugar na alma humana onde a luz parece ter se apagado completamente, onde cada respiração é um esforço, onde o amanhã parece impossível. Pode ser o diagnóstico que muda tudo, o luto que parte o coração ao meio, a depressão que rouba as cores do mundo, o fracasso que esmaga nossa identidade. O salmista não nos oferece respostas fáceis ou frases motivacionais. Ele simplesmente nos diz: "Eu também estive ali. Eu conheço aquele lugar".

E então vem o clamor. Não uma oração polida, com palavras cuidadosamente escolhidas. Apenas "Ó Senhor, livra a minha alma". Há tanta beleza nessa simplicidade. Quantas vezes nos sentimos inadequados para orar porque não sabemos o que dizer, como dizer, se estamos dizendo "certo"? Este salmo nos confronta com uma verdade libertadora: quando não há mais palavras bonitas, quando tudo o que resta é um grito socorro, isso é oração suficiente. Deus não precisa da nossa eloquência, mas de nossa honestidade.

A descrição de Deus como aquele que "protege os simples" toca profundamente. Os simples - aqueles que não têm planos mirabolantes, que não sabem como sair sozinhos, que chegaram ao fim de si mesmos. Existe uma graça particular para quem não usa máscaras, para quem não finge a força que não possui. Quando o salmista diz "eu estava abatido, e Ele me salvou", há refrigério nessas palavras. Você não precisa ser forte, não precisa ter respostas. Você pode chegar quebrado, e mesmo assim - especialmente assim - há lugar para você.

"Volta ao teu descanso, ó minha alma" soa quase como uma canção de ninar para um coração ferido. Às vezes precisamos embalar nossa própria alma de volta à paz, recordando com ternura: "Lembra? Lembra quando Ele enxugou suas lágrimas? Lembra quando Ele segurou seus pés quando você ia tropeçar?" A memória se torna um ato de resistência contra o desespero. Não estamos negando a dor presente, mas estamos nos ancorado na verdade do que já experimentamos. E isso importa mais do que podemos imaginar nos dias difíceis.

O salmista confessa algo vulnerável e real: houve momentos em que disse "todos os homens são mentirosos". Ele foi decepcionado, magoado e  talvez traído. As pessoas falharam com ele quando ele mais precisava. E mesmo assim, ele não deixou que a falibilidade humana definisse sua visão de Deus. Isso me traz esperança, porque todos nós já fomos feridos por pessoas, alguns profundamente. E é tão fácil deixar que essas feridas construam muros ao redor do nosso coração, inclusive em relação a Deus. Mas o salmista nos mostra outro caminho: podemos reconhecer a dor causada pelas pessoas sem fechar nosso coração para o divino.

A questão "como retribuirei ao Senhor?" não nasce de obrigação, mas de um coração transbordante. É como quando alguém nos ama tão bem que não conseguimos deixar de querer retribuir de alguma forma. O salmista escolhe a gratidão pública, o testemunho compartilhado, os votos cumpridos. Não porque Deus precise, mas porque o coração curado precisa transbordar. Há algo terapêutico em dizer em voz alta: "Olhem o que Ele fez por mim. Eu estava perdido e fui encontrado. Eu estava machucado e fui tratado". Nosso testemunho não é apenas um presente para Deus, mas também um presente para outros que ainda estão nas cordas da morte, esperando ouvir que há saída.

E assim, o salmo termina onde começou - em amor, em gratidão, em louvor. Mas agora é diferente. É o "Aleluia" de quem atravessou a noite mais escura e viu o amanhecer. Não é ingenuidade, não é negar a dor. É a sabedoria de quem aprendeu que mesmo nos lugares mais sombrios, nós não estamos sozinhos. Que nossas lágrimas são vistas, nossos clamores são ouvidos, nossos passos trôpegos são amparados. E isso - essa presença fiel no meio da tempestade - isso vale cada "Aleluia" que nossos lábios conseguem pronunciar.


SP-1º/01/2026





sábado, abril 27, 2013

Deus ouve nossa oração porque é fiel a sua palavra



Relógio de Acaz
João Cruzué


O Rei Ezequias de Judá estava morrendo. E o profeta Isaías veio ao palácio com a palavra de Deus: "Põe em ordem a tua casa porque morrerás e não viverás". Então, a Bíblia registrou, em II Reis capítulo 20, o desgosto do rei. E tendo o Profeta Isaías saído, já quase fora do pátio, veio  a ele a Palavra do Senhor com a revogação da mensagem: Volta e dize a Ezequias, chefe do meu povo, Assim diz o Senhor, Deus de Davi teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas, eis que Eu te sararei; ao terceiro dias subirás à Casa do Senhor. E acrescentarei  aos teus dias 15 anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e esta cidade por amor de mim e por amor a Davi, meu servo.

Quero agradecer os "teimosos" leitores que insistem em passar por aqui para ler as palavras de pouca sabedoria deste blogueiro. Eu vou aproveitar a oportunidade para dizer que meu tempo já bem escasso ficou ainda mais encolhido. Explico: vou a estudar, estou fazendo pós-graduação em Auditoria. Além disso, tenho viajado bastante para fora da Cidade de São Paulo a trabalho do Tribunal de Contas - a grande porta que Deus me abriu para ganhar o pão para minha família. Embora eu tenha essa justificativa, o compromisso de escrever uma mensagem bíblica e um comentário sobre atualidades evangélicas continua de pé.

Deus ouviu a oração de Ezequias. Isto foi um fato inegável. E a verdade por trás dele é  que os ouvidos de Deus estão atentos às palavras sinceras de um filho seu. Mas a mudança de planos que Deus promoveu não foi por causa da oração de Ezequias foi por algo mais antigo e mais profundo. O meio que levou à mudança foi a oração de Ezequias, mas a causa da mudança foi o compromisso de Deus com o Rei Davi, e isto ficou bem claro quando Deus falou ao Rei pela boca do profeta Isaías: "...Por amor a Davi - meu servo.

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PROMESSA DE DEUS A DAVI

I Reis 2:4
Para que o SENHOR confirme a palavra, que falou de mim, dizendo: Se teus filhos guardarem o seu caminho, para andarem perante a minha face fielmente, com todo o seu coração e com toda a sua alma, nunca, disse, te faltará sucessor ao trono de Israel. 

I Reis 8:25 

Agora, pois, ó SENHOR Deus de Israel, guarda a teu servo Davi, meu pai, o que lhe falaste, dizendo: Não te faltará sucessor diante de mim, que se assente no trono de Israel; somente que teus filhos guardem o seu caminho, para andarem diante de mim como tu andaste diante de mim. 

I Reis 9:5 

Então confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre; como falei acerca de teu pai Davi, dizendo: Não te faltará sucessor sobre o trono de Israel.
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O Rei Ezequias estava com dois grandes problemas: A guerra  (assírios) e a morte à sua porta. E o Senhor estava diante de uma de um dilema: Se Ezequias morresse, ficaria Deus em falta com sua palavra a Davi. Se Ezequias vivesse, o filho que dele ainda iria nascer (três anos depois) viria a ser um louco que reinaria 55 anos fazendo todo tipo de impiedade. Por causa da oração de Ezequias, Deus se lembrou do compromisso com Davi. E por não poder negar a sua palavra, o Senhor deu mais 15 anos de vida ao Rei Ezequias e também o livramento da guerra contra Senaqueribe da Assíria.

Costumamos, às vezes,  ter uma ideia equivocada a respeito de respostas à nossas orações.  Nem sempre Deus responde ao nosso clamor e nos livra de grandes problemas por causa de nosso testemunho ou pretensiosa fidelidade. Ele, na maioria das vezes, nos atende porque alguém bem mais fiel que nós orou e ouviu uma promessa de Deus. A nossa oração pode ser o meio que leva o Senhor a se lembrar do compromisso que fez com alguém.

Lembro-me de uma vez que fui orar por uma jovem senhora no leito da UTI do Hospital São Paulo, à Rua Borges Lagoa, perto da Estação Santa Cruz do Metrô Paulistano. Esperei quase um mês para ter aquela oportunidade, pois muitos ministros maiores e melhores que eu tiveram a primazia de ir até aquele lugar. Neste tempo de espera, pedimos orações por ela em todas as Igrejas que fomos e nas reuniões de Obreiros da Igreja Assembleia de Deus da Rua Jacutinga, 154, no tempo do saudoso Pastor setorial, Luiz Branco. No dia que oramos, Deus atendeu e estancou uma hemorragia de muitos dias. Cerca de um mês depois aquela jovem senhora voltou para casa curada de um câncer de colo do útero.

Ainda que minha vaidade pudesse me levar a pensar que a oração que Deus ouvira fora  a minha, eu já tinha conhecimento de uma verdade. A resposta favorável de Deus a um problema pessoal não está na última oração. A figura mais esclarecedora deste assunto eu ouvi de alguém que não consigo me lembrar quem: A resposta de Deus é como uma balança de dois pratos. De um lado está o peso de um quilo, representando a nossa causa. No outro prato, as orações dos justos. Se cada oração fosse um cartão de visitas, seriam necessários muitos cartões para chegar ao peso de um quilo. Mas, em determinado momento haveria um cartão que faria com que o prato das orações virasse o outro levantasse o outro lado.

A oração é o meio para se chegar aos ouvidos de Deus, mas para mover a mão de Deus é preciso ter um compromisso de fidelidade e andar na presença Dele!