domingo, dezembro 14, 2025

Meditação em Oséias 6:3

 

Profeta Oséias

Por João Cruzué

Oseias foi o profeta do Antigo Testamento que registrou esta triste constatação de Deus: O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento. Ao rejeitar o conhecimento [da vontade de JEOVÁ], Israel também foi rejeitado por Deus. Ao se esquecer da LEI do SENHOR, o SENHOR DEUS também se esqueceu do Seu povo (Oseias 4:6). Como solução, o profeta deu este conselho: Vinde e tornemos para o SENHOR, porque ele castigou, mas sarará a ferida. Depois de um tempo nos dará a vida e ao terceiro dia ressuscitará e viveremos diante dele (Oseias 6:1-2).

Depois desta curta introdução, a proposta desta meditação é a seguinte: em tempos de tanta disponibilidade e facilidade em adquirir o conhecimento, nunca tantos crentes conheceram tão pouco a vontade do SENHOR. Isto, hoje, seria um paradoxo.

O conhecimento de Deus não é teórico nem litúrgico. Trata-se de um conhecimento relacional, existencial, vivido. Conhecer o Senhor implica andar com Ele, submeter-se à sua vontade, aceitar o peso ético da aliança. O drama do texto é que Israel sabe dizer as palavras certas, mas não sustenta a prática correspondente. O versículo revela uma teologia correta na boca de um coração instável. Há discurso de maturidade, mas ausência de permanência.

O apóstolo Pedro também se preocupou com este assunto: Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo... (II Pedro 3:18). Mas foi Paulo quem escreveu, na Carta aos Efésios, esta palavra magnífica: Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação (Efésios 1:16-17).

O que precisamos conhecer a respeito do SENHOR Jesus Cristo? Esta é a pergunta-chave!

1.  Jesus Cristo é o Filho do Pai da Glória?

Assim diz a palavra do SENHOR: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16). A razão de Jesus Cristo ter vindo ao mundo foi o grande amor de Deus, nosso Pai Celestial, pela humanidade perdida.

João ainda registra que Deus enviou Jesus para o povo judeu, o povo que recebeu a promessa de Deus, mas este povo o rejeitou. E quando houve esta rejeição, Deus usou o plano "B". Todas as pessoas estrangeiras (os não judeus - gentios) que cressem em JESUS CRISTO e o recebessem receberiam esta promessa: o poder de serem adotadas e registradas no Livro da Vida como filhos de Deus, tendo os mesmos direitos de Cristo, o filho legítimo, na herança celestial.

2.     Por que Deus enviou Jesus Cristo ao mundo?

Conhecer este assunto é de suma importância para todo crente. Deus enviou Jesus Cristo a este mundo para promover uma reconciliação entre Deus, nosso Pai Celestial, e cada pessoa. Esta reconciliação é necessária por causa do pecado.

O primeiro homem, Adão, pecou. O vírus deste primeiro pecado (desobediência) continua sendo transmitido a cada ser humano que nasce. O homem possui, além do corpo, uma alma e um espírito. Para adquirir um corpo físico, ele nasce da união entre um homem e uma mulher. Por outro lado, para ter vida espiritual, ele precisa nascer do Espírito Santo. Sem Deus, o espírito do homem está morto por causa do pecado.

O pecado é como um vírus de computador. Assim como a máquina, por si mesma, não tem a capacidade de produzir um antivírus, Deus enviou Jesus Cristo ao mundo para pagar pelos nossos pecados. Cada pessoa que aceita Jesus como seu Salvador pessoal, recebendo-o publicamente em seu coração, é nascida do Espírito.

O ato de crer e aceitar Jesus produz como efeito o perdão e a adoção de Deus (registro do nome no Livro da Vida) e a regeneração do modo de viver com a ajuda do Espírito Santo. Cristo é a pessoa enviada pela graça de Deus para promover nossa libertação do reino das trevas através do perdão de nossos pecados.

3. Onde está formalmente escrito estes direitos?

Na Bíblia Sagrada, o Livro que registra a palavra e revela a vontade de Deus para cada um que quiser. Neste ponto, por uma questão de negligência ou falta de interesse mesmo, muitos estão dentro da Igreja sem conhecer a missão de Cristo e o grande amor de Deus, nosso Pai Eterno.

Um cristão que não se aprofunda no estudo da Palavra de Deus fica sujeito ao ataque da dúvida, uma das armas mais poderosas do diabo, para levar as pessoas a desconfiarem de Deus e deixarem de inquirir mais de perto sobre a salvação.

A Bíblia Sagrada é um manual que Deus planejou pela sua vontade, inspirando mais de 40 autores no espaço de mais de 1500 anos. Nela está contida a palavra de Deus. Quando o pecador aceita Jesus como Salvador, ele se torna um crente. Quando este crente procura adquirir o conhecimento da palavra de Deus e se esforça neste sentido, ele passa a conhecer a Cristo, também, como SENHOR da sua vontade.

4. Você tem certeza da sua salvação?

Esta é uma das perguntas mais inquietantes que provoca uma reação silenciosa da maioria dos crentes. Afinal, eu sou ou não salvo em Cristo? Uma das razões pelas quais a consciência dos crentes pode parecer como as ondas do mar, que se repetem sucessivamente ao quebrar na praia, é justamente esta dúvida. Ela é o resultado da falta de estudo da palavra de Deus.

É preciso CONHECER os versículos da Palavra de Deus que garantem a nossa salvação. Se não tivermos esta certeza de que somos salvos, nem soubermos em detalhes como funciona o Plano de Deus para salvação de nossas almas, nossa vida cristã vai ser uma vida medíocre, cheia de muitas dúvidas e poucas bênçãos.

Esta certeza vem de guardar no coração os versículos da Palavra de Deus que falam sobre este assunto. As bases da nossa salvação devem estar fundamentadas desta forma. Um dos versículos é este: Se confessares com tua boca o nome do Senhor Jesus (aceitar Jesus) e creres que Deus (Pai) o ressuscitou dos mortos, SERÁS salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça (justificação) e com a boca se faz confissão para a salvação (Romanos 10:9-10).

Uma segunda evidência pode ser obtida com a resposta a esta pergunta: Depois que você aceitou Jesus, você tem prazer em continuar vivendo no pecado, ou deseja abandoná-lo?

5. Deus tem um plano individual e pessoal para cada crente?

Com certeza. Para chegar ao CONHECIMENTO deste plano, é preciso aceitar Jesus como Senhor e Salvador. Mas conhecer este assunto e dar estes passos não é o bastante.

Nos dias atuais, o padrão de comportamento das pessoas que vivem ao nosso redor, na maioria das vezes, não é um padrão que agrada a Deus. É por isto que o Apóstolo João escreveu na sua 1ª Carta: Não ameis o mundo, nem o que no mundo há (comportamento e costumes). Se alguém ama o mundo, o amor do PAI não está nele. Porque tudo o que há no mundo (na sociedade), a concupiscência (desejo intenso, compulsão) da carne, dos olhos e a soberba da vida, não é do PAI, mas do mundo (I João 2:15-16).

Se alcançamos o NOVO NASCIMENTO (Evangelho de João, capítulo 3), nossa natureza não procura por coisas mundanas, pois o Espírito Santo fala ao nosso coração que precisamos agradar a Deus, conhecendo a vontade dEle e praticando aquilo que Ele aprova. Isto se chama santificação.

O crente que diz estar salvo, cujo coração ainda tem amor ao pecado (prostituição, vícios, pornografia, desonestidades, mentiras e afins), tem o coração ainda longe de DEUS.

6. Se eu deixar de conhecer a palavra de Deus, Ele me dará o benefício da inocência?

NÃO! A vontade dEle pode ser revelada ao nosso coração quando demonstramos um interesse profundo de conhecer a palavra dEle para colocar em prática. CONHECIMENTO da palavra de Deus, para viver na VONTADE de Deus.

Quando um casal de jovens está namorando, se cada um deles gosta mesmo do outro, vai procurar conhecer do que a pessoa amada gosta e, para agradá-la, vai procurar fazer aquilo, via de regra, que ela gosta. Da mesma forma, para demonstrar o amor a DEUS, é preciso conhecer aquilo de que ELE se agrada, para fazer sua vontade.

7.  O conhecimento de Deus e da sua vontade é suficiente para manter a salvação?

NÃO! A pessoa, para demonstrar que é um verdadeiro cristão, precisa juntar o conhecimento com a prática. O diabo tem conhecimento de Deus e também conhece 100% a palavra do SENHOR; entretanto, é um ser perdido porque sabe tudo, mas não pratica nada de bom.

O testemunho é a prova do caráter de um cristão. Se ele diz que ama a Deus, então ele DEVE praticar as obras de um verdadeiro filho de DEUS.

8. Os pastores, bispos, apóstolos e papas já estão salvos pelo conhecimento que possuem de Deus?

NÃO! Quanto mais alto é a responsabilidade ministerial, maiores são os planos do diabo para corromper e derrubar o líder cristão. Basta um ato de desobediência sem um concerto com Deus para que a cegueira apareça e a nudez fique despercebida.

Uma coisa é pensar que é santo, e outra bem diferente é andar no caminho da santidade, aquele caminho estreito que o próprio Jesus disse que poucos são os que andam por ele. O que acontece, na maioria das vezes, é que o líder vai perdendo a presença de Deus de uma forma tão lenta e imperceptível que, aos seus olhos, isto não é perceptível. Por fim, ele acha que a corrupção é uma coisa normal e que todos são corruptos ou mais corruptos que ele.

Esta é a razão pela qual um líder religioso pode ver no inferno sua família inteira. Que adianta ganhar 7,5 bilhões de almas para Cristo se a própria família, junto com ele, está fora do caminho estreito?

9. Qual é a responsabilidade dos pastores e co-pastores quando comprovadamente o líder da denominação é um homem comprovadamente corrupto e desviado?

Esta é uma pergunta que, a princípio, parece difícil de ser respondida. A resposta dela deve ser obtida ouvindo a voz do Espírito Santo. E para ouvir a voz do Espírito Santo, é preciso oração e jejum.

Dar suporte às malandragens de uma liderança corrupta é também fazer parte de suas más obras. A questão muito delicada é: Deus vai me sustentar financeiramente se eu tomar uma posição de confronto?

E uma boa resposta é: Está havendo uma busca incessante da sua parte para ter um esclarecimento do Espírito Santo? Quem, afinal, é o seu SENHOR? É o Pai Celestial ou um líder corrupto contumaz?

Que Deus nos guarde e nos ajude contra a ignorância, negligência, desânimo, indiferença e perda do amor.

A paz de Cristo.


sábado, dezembro 13, 2025

Quando Falta Visão - Seis Casos de Miopia Estratégica

Visão
 

João Cruzué

 1. A Xerox, por meio do seu centro de pesquisa PARC (Palo Alto Research Center), desenvolveu nos anos 1970 tecnologias revolucionárias como a interface gráfica com janelas, o mouse, a metáfora de desktop e a computação pessoal em rede. À época, a alta administração da Xerox, voltada ao negócio tradicional de copiadoras, considerou tais inovações pouco relevantes comercialmente e não estruturou uma estratégia agressiva de patenteamento e exploração de mercado.

A Apple, liderada por Steve Jobs, teve acesso a essas tecnologias e incorporou a GUI ao Lisa e, posteriormente, ao Macintosh, redefinindo a indústria de computadores pessoais. A Microsoft seguiu o mesmo caminho com o Windows, tornando-se uma das empresas mais valiosas do planeta. A Xerox, embora pioneira, perdeu a chance de se tornar uma gigante da computação pessoal, enquanto Apple e Microsoft construíram impérios bilionários sobre conceitos que a Xerox julgou periféricos.

2. Os Bell Labs, da AT&T, criaram o UNIX no final da década de 1960, um sistema operacional altamente robusto, modular e portátil. Por restrições regulatórias e visão estratégica limitada, a AT&T licenciou o UNIX a preços simbólicos para universidades e centros de pesquisa, sem perceber seu potencial comercial global e de longo prazo.

Décadas depois, o UNIX tornou-se a base de inúmeros sistemas operacionais, incluindo Linux, BSD, Solaris e, indiretamente, macOS e Android. Empresas como Red Hat, IBM, Google e Apple construíram modelos de negócios bilionários sobre essa arquitetura. A AT&T, por sua vez, não capitalizou o valor estratégico do UNIX e perdeu protagonismo em um dos pilares da economia digital.

3. A Kodak inventou a primeira câmera digital funcional em 1975, desenvolvida por um de seus próprios engenheiros. No entanto, a empresa optou por não explorar a tecnologia, temendo que ela canibalizasse seu altamente lucrativo mercado de filmes fotográficos e revelação química. A patente foi subutilizada e a inovação ficou engavetada por décadas.

Empresas como Sony, Canon, Nikon e, posteriormente, fabricantes de smartphones, dominaram o mercado de imagem digital, criando cadeias produtivas bilionárias. A Kodak, presa a um modelo de negócio obsoleto, entrou em colapso financeiro e pediu falência em 2012. O caso tornou-se um dos exemplos mais clássicos de miopia estratégica e falha de governança da inovação.

4. A Nokia, líder absoluta em telefonia móvel no início dos anos 2000, possuía tecnologias avançadas em mobilidade, design de hardware e comunicação sem fio. No entanto, subestimou o valor estratégico do ecossistema de software, especialmente sistemas operacionais modernos e plataformas de aplicativos, tratando-os como acessórios e não como núcleo do negócio.

Com a ascensão do iOS (Apple) e do Android (Google), ambos fortemente protegidos por patentes e integrados a ecossistemas digitais, a Nokia perdeu rapidamente relevância. O Android, em especial, tornou-se a base do maior sistema operacional móvel do mundo, gerando receitas bilionárias indiretas ao Google. A Nokia, apesar de sua base tecnológica, acabou vendendo sua divisão de celulares e perdendo protagonismo global.

5. A IBM, ao lançar seu computador pessoal em 1981, decidiu não proteger rigidamente a arquitetura do PC, adotando componentes de terceiros e permitindo compatibilidade aberta. A empresa considerava o PC um produto secundário frente a seus grandes sistemas corporativos e mainframes, não antecipando a explosão do mercado de computadores pessoais.

Essa decisão permitiu que empresas como Microsoft (com o MS-DOS e depois Windows) e fabricantes de clones como Compaq, Dell e HP dominassem o mercado. A Microsoft, em especial, transformou o licenciamento de software em um dos modelos mais lucrativos da história, alcançando valorizações trilionárias. A IBM permaneceu relevante em outros segmentos, mas abriu mão do maior ciclo de riqueza já gerado na indústria de tecnologia pessoal.

Assim, esses cinco casos revelam um padrão recorrente: o erro não foi técnico, mas estratégico. As empresas pioneiras detinham conhecimento, patentes e capital humano, mas falharam em compreender o valor futuro da inovação e em alinhar governança, visão de longo prazo e modelo de negócios.

 Agora que chegou até aqui, vou contextuar este assunto comercial com a dimensão espiritual. O erro de estratégia que cometeu condenou sua família a uma vida de perdedores. Talvez isso possa acontecer com você no futudo - leitor -, diante de um assunto  espiritaul abstrato hoje que se tornará concreto no futuro. Você já ouviu falar do Reino de Deus? Pois bem no 6º e último erro de estratégia você vai começar a denteder.

6. Esaú, é um personagem bíblico. Foi protagonista do maior  clássico de miopia estratégica registrado na Bíblia Sagrada.  Esaú era primogênito de sua família, e naquele tempo como tal detinha direitos espirituais, jurídicos e econômicos: liderança da família, herança dobrada e participação direta na linhagem da promessa. 

Contudo, movido por uma necessidade imediata e racional, vendeu sua primogenitura por um prato de comida porque estava com muita fome. Com essa atitutde demonstrou achava desprezível e sem valor  um ativo que tinha valor eterno. As Escrituras destacam que ele “desprezou a primogenitura”, revelando não ignorância, mas desdém consciente pelo futuro. E este futuro era uma bênção espiritural que repercutiria no mundo material.

Assim,  a forma como entender o Reino de Deus, hoje, se desprezível e pura perda de tempo ou algo muito valioso, vai contar na balança de Deus que pesa  seu futuro.

O Novo Testamento Bíblico interpreta esse episódio como advertência severa: Esaú perdeu algo irrecuperável, mesmo tendo se arrendido do que fez, já era tarde demais. 

Encerrando, por hoje, não vou conceituar aqui o que é o Reino de Deus. Uma pesquisa básica daria conta do recado.  Mas, vou deixar um subsídio: "O reino dos céus é também semelhante a um comerciante que procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía e a comprou.

O Reino de Deus é o melhor investimento para uma vida inteira. Um legado para as gerações da sua família.

SP - 13/12/2025