quarta-feira, setembro 10, 2008

Nietzsche e o livre arbítrio

Friedrich Wilhelm Nietzsche
(1844 - 1900)

"A doutrina da vontade foi inventada principalmente para
punir, isto é, com a intenção de encontrar um culpado...
Hoje que entramos nesta corrente contrária e nós os
imoralistas, trabalhamos com todas nossas forças
para conseguir que desapareça mais uma vez do
mundo a idéia da culpabilidade e de punição
"
Nietzsche
João Cruzué


Nietzsch disse em "Crepúsculos dos Deuses" que os teólogos inventaram a idéia do livre-arbítrio para tornar a sociedade responsável por seus próprios atos ou como ele diz: "Dependente dos teólogos..." Então para restabelecer a inocência do devir a idéia de Deus deve ser negada, e não existindo Deus, não existe responsabilidade, e concluindo assim, diz ele: "Salvamos o mundo."


É muito interessante saber que Nietzsche morreu louco. E mais interessante ainda é saber que ele é o filósofo mais lido da atualidade. É a Bíblia que diz no Salmo 49 v.13: "O caminho deles é a sua loucura; contudo a sua posteridade aprova as suas palavras."


Foi Drummond quem certa vez conjecturou mais ou menos isso: "E se o céu for de verdade, e a vida um vestibular?" 

Com formação em Teologia e Filosofia na Universidade de Bonn, Friedrich Wilhelm Nietzsche em desespero tentava negar a causa para que, como em passe de mágica, não existisse as conseqüências. Entre a idéia de que Deus existe de fato e outra idéia de que Ele não existe, ainda assim entre as duas existe uma área de dúvida. Não vemos o vento, mas ele existe; não vemos o amor, mas ele existe; não podemos pegar a luz, mas ela existe, não temos mais a companhia dos entes queridos mortos, mas eles estiveram conosco.


É preciso muito mais "fé" para um ateu crer que tudo veio de uma ameba, do que crer que Deus criou todas as coisas. Michael Behe em seu livro "A caixa preta de Darwin" escreveu: "acreditar que o Homem com toda a complexidade dos sistemas de seu corpo é apenas o produto de mutações genéticas a partir de uma ameba, é o mesmo que acreditar que uma tábua de madeira, uma mola e um gatilho de arame, evoluíram e se juntaram sozinhos até formar uma ratoeira."


"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado" O que é o bem? O bem é algo que todos querem para si. E deixar de fazer o bem? Isto já inerente àquele que tem condições de fazê-lo, pode fazê-lo, mas não o faz ou por indolência ou por vingança ou por maldade. Fazer ou deixar de fazer - livre-arbítrio. Venha (sempre) a nós, e ao vosso reino, talvez ou nunca. Como na Aritmética juntando dois com dois dá quatro, o semear do homem deve produzir uma colheita.


Se a idéia de Deus e do pecado fosse apagada de entre os homens, julga Nietzche que a humanidade voltaria à inocência. Matando, praticando a pedofilia, o incesto, qualquer coisa sem limites, sem culpa e sem punição - inocentemente. Uma sociedade com características assim teria curta duração, aniquilaria a si mesma sem nenhum constrangimento. Pelo menos Deus tem uma promessa de vida eterna para quem os que aceitam uma reconciliação através do caminho que é Jesus Cristo. Que futuro e promessa têm os que não crêem? A resposta é: nenhum! É o Apóstolo Paulo quem escreveu no Livro de Romanos: "Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus", mas logo a seguir: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito." Deus é o criador, o designer, a Lei Moral não foi dada com o objetivo de punir e matar, mas para preservar a humanidade do próprio auto-aniquilamento. Um carro de fórmula um sem os freios.


O Deus que conheci não é um carrasco. Tem sido para mim um pai amoroso, aberto ao diálogo, disposto a ser provocado para se deixar achar. Aceitar um monte de baboseiras como verdades absolutas com base em idiossincrasias alheias é aceitar que a chama do fogo é fria. Foi o Profeta Jeremias quem escreveu esta frase cuja autoria é de Deus "Clama a mim, e responder-te-ei; anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes."


Para alguém provar que Deus existe, primeiro teria que orar. Dialogar com Deus. Não com instinto zombador, pois onde não há o mínimo de sinceridade também não haverá respostas. O Deus que conheço aceita o diálogo. Se alguém, por pior que seja, trancar a porta de seu quarto, e ali sozinho conversar com Deus,  expor suas dúvidas e pedir uma prova de sua existência, pela experiência que tenho não vai ficar decepcionado.


Deus é amor. Por que Nietzsche enxergava nele um carrasco? Uma decepção amorosa? Conflitos familiares? Uma vida manipulada pela mãe? Um amor incestuoso para com a irmã? É que ponto da sua vida o teólogo passou a hostilizar os teólogos? A partir do momento que encontrou a "verdade" e se libertou da idéia de Deus? Ou a semelhança de tantos teólogos modernos foi entristecendo e apagando o Espírito de Deus em sua vida ao ponto de dar lugar a um espírito maligno?


Eu creio que a loucura que levou Nietzsche à morte tinha uma natureza maligna. Se ele se torno o filósofo mais lido atualmente, nisso não há nenhuma surpresa: a humanidade também está caminhando para a loucura. Uma multidão de néscios, todo dia, estão por aí dizendo :"Deus não existe", o pecado é uma invenção barata para nos culpar e punir. Queremos de volta nossa inocência. Enquanto isso matam, roubam, bebem, praticam a pedofilia, matam os próprios bebês, matam os próprios pais. O que é isso? Pergunta a sociedade. Eu vou responder: deve ser a "inocência"...


Temos a capacidade, sim, de decidir a partir de escolhas pessoais. "O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom" Jó 34:4.


João Cruzué
SP 10.09.2008
cruzue@gmail.com


Leia mais em Mensagens de João Cruzué

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8 comentários:

Paulo Henrique disse...

Blá, blá, blá... Sinceramente! O conceito de um Deus cristão vai contra a mínima consideração empírica, até mesmo contra o bom senso... "Não vemos o vento, mas ele existe". Bem, pelo menos o sentimos, não é mesmo?
Primeiro ponto: deus não existe.
Segundo ponto: se existisse, não seria a nossa imagem e semelhança.
Terceiro ponto: se o fosse, não teria as nossas considerações morais sobre o bem e o mal.
Como o próprio Nietzsche disse, somente o deus moral foi refutado.

Joao Cruzue disse...

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Quarto ponto: Nietzsche estudou filosofia e teologia na Universidade de Bonn. Por não ter sido correspondido no amor, por sífilis, tornou-se um revoltado, amargurado e murmurador.

O que interessa não é se Deus exista ou deixe de existir. Sem Ele todo ser humano é um vazio completo, mesmo conhecendo a essência do pensamento de todos os filósofos.

Neste ponto, Paulo Henrique de Curitiba, eu prefiro o não-vazio à amargura dos que se olham no espelho e não conseguem enxergar o propósito da vida, bem diante dos olhos.

Obrigado pela leitura e pelo comentário.


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why? disse...

faça-me o favor de publicar algo mais coerente, ''orar para provar que deus não existe'' acho que não preciso dizer mais nada... a sua experiência foi fruto de algo pré-programado. deus conhece o amanhã? sim! ele sabia que judas o negaria 3 vezes. a uma pergunta nunca respondida de forma lógica antes, dedico este tempo. por que deus sabe que pessoas matam, roubam, bebem, praticam a pedofilia, matam os próprios bebês, matam os próprios pais e mesmo assim, faz com que essas pessoas ruins existão? deus sabia que essa pessoa ia matar, roubar... -deus conhece o futuro. por que deus permtitiu que essas pessoas viessem ao mundo? joão de deus, quantas cristãos não passam por provações todos os dias? pessoas passam fome, mas agradecem a deus pela miséria de um pão em cima da mesa. Se o cristianismo tivesse razão com suas teses do Deus vingador, da propensão universal ao pecado, da predestinação pela graça e do perigo de uma condenação eterna, seria um sinal de fraqueza de espírito e falta de caráter não se fazer padre, apóstolo ou missionário e não trabalhar com o temor e tremor exclusivamente para sua própria salvação; seria absurdo perder assim de vista a vantagem eterna em troca da comodidade temporária. Supondo que tenha fé, o cristão de todos os dias é uma figura lamentável, um homem que realmente não sabe contar até três e que, de resto, justamente por causa de sua incapacidade mental de calcular, não mereceria ser castigado tão duramente como lhe promete o cristianismo (nietzsche) aguardo lógicas respostas.

Irmão João disse...

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Obrigado pelo comentário. Pena que faltou sua identificação.Enfim,é isso.

Respostas lógicas, você me pede. Lógica nesse caso é uma palavra de exegese subjetiva.

Você que uma resposta que o surpreenda? Então, basta apenas duas linhas.

Atrás de sua aparente ira anticristã com certeza há uma pessoa que busca algo em que acreditar. Um sentido para a vida e a cura para o vazio mortal.

Não existe lógica na fé. A única coisa que pode mudar os olhos do nada. Por trás dela mora o Espírito de Deus. É através dos olhos dele que existe beleza nas coisas que nem percebemos. É tolice descarregar a culpa das mazelas e maldades da humanidade nas costas de Deus, para justificar os que sabem fazer o bem, mas praticam o mal.

Você procura água no deserto? A lógica do deserto é a areia. Vou terminar. Você quer lógica? Mire-se diante do espelho. Olhe no fundo de seus olhos e pergunte para si mesmo:

Por que eu tenho os olhos tristes?

Irmão João.

Branquinho disse...

Cito:
«O que interessa não é se Deus exista ou deixe de existir. Sem Ele todo ser humano é um vazio completo»

Sendo assim, pergunto: deus passa a existir apenas para reconfortar as almas humanas? Penso que, se eu fosse deus, não existiria para dar sentido a nada, mas tudo existiria para me dar sentido a mim (tal como o quis que fosse a religião).

E sim, é claro que toda a pessoa procura algo em que acreditar. A questão talvez seja outra: toda a pessoa que não é suficientemente forte procura, para bem viver, a possibilidade de um todo harmonioso que lhe assegure uma "constância", sem a qual não pode viver. Ou se pode viver, vai ser uma nova forma de viver: viver martelando, como bem disse Nietzsche.

«deus está morto», e fomos nós que o matamos. Assim, se deus está morto, a responsabilidade passa a estar toda em nós: a ideia seria deixarmos de ser «deaf and blind and dumb and born to follow», e começarmos, nós, a criar um caminho.

Cito:
«Não existe lógica na fé. A única coisa que pode mudar os olhos do nada. Por trás dela mora o Espírito de Deus.»

Não existe lógica na fé, nem nada mais a não ser... fé! O facto de acreditares ou não em algo não faz com que algum "espírito" (ou objectivo) more por trás seja do que for. Acreditas, e é somente isso.

Por acaso acreditas num porco com orelhas de cavalo, rabo de rato, nariz de papagaio, e que usa chinelos? Não há grande diferença entre este "porco" e deus, a não ser a crença que, no caso de deus, este controla e organiza tudo, tratando de gerar uma harmonia impossível no devir total que é a própria vida. Deus é apenas uma estatística amigo...

Talvez o que pretendia Nietzsche seria que, POR FIM, se afirmasse a vida ENQUANTO VIDA, na sua beleza, e no seu horror, na sua completa inconstância, na sua dança eterna, e que se matasse aquele que a quis tornar em algo "demasiado leve", demasiado com-sentido, aborrecida, uma que nem sequer merece ser considerada por nós; que se matasse, finalmente, quem quis matar a vida: o teu deus. Quem acredita numa vida destas é, simplesmente, demasiado fraco para a viver. É sempre bem mais fácil admitir que a vida tem um sentido, do que passá-la toda a procurá-lo, né cara? Como bem o disse Nietzsche: «Preferem entregar-se a um nada seguro, do que morrer por qualquer coisa de incerto». Mas, meu amigo, a vida é só isso, qualquer coisa de incerto.

Outra coisa mais, para veres a tua posição perante o teu deus; como disse Nietzsche: «É-se o mais desleal possível contra o seu próprio deus: ele não tem o direito de pecar».

Quanto à tua pergunta «Por que eu tenho os olhos tristes?» a quem tinha feito aquele comentário anterior, tenho uma frase (mais uma vez de Nietzsche):
«Quem ainda se regozija na fogueira não triunfa sobre a dor, mas sim sobre o facto de não sentir dor onde esperava. Trata-se de uma alegoria» ou talvez «Falar muito de si pode ser também um meio de se esconder».

Se necessário, posso continuar a discussão contigo em qualquer altura, porém, como ambos o sabemos bem: «"Ele desagrada-me" "Porquê?" "Não estou à altura dele". Já alguma vez alguém respondeu assim?»

«Jesus disse aos seus Judeus: "A lei foi feita para escravos. Amais deus como eu o amo, como um filho! O que tem a moral a ver connosco, filhos de deus!»

Anônimo disse...

Li o seu artigo e gostei muito como foi abordado o tema sobre Nietzsche. Ele buscou a sabedoria dos homens que resultou em sua loucura, na verdade ele ficou louco por não conseguir achar resposta para sua vida vazia. Sou formada em geografa e estudei muitos autores da filosofia pois dela provem as demais ciências. Concluo meu pensamento com o que diz a Bíblia, "a sabedoria de DEUS é loucura para os homens". Por mais que nasçam novos filósofos e pensadores, sempre serão barrados na existência da vida, pois somente a DEUS procede toda a sabedoria.

Mariane (professora de Geografia)

Anônimo disse...

Se "DEUS" pune, então, há Justiça. Mas, que justiça é essa que pune os pobre e os miseráveis com fome, sede, descaso, preconceito e guerras e grava o nome de corruptos e assassinos na história? Deve ser a INOCÊNCIA SÁDICA de Deus! Talvés os demônios inspirem nos poderosos a maldade, enquanto a justiça de Deus descansa. Ou será tudo apenas "POLÍTICA"?

Seus deuses são humanos e políticos de mais pra mim. Não acredito que o homem precise de ajuda para isso. O Estado já está criado, com todas as punições e regras morais e éticas. Deixemos os Deuses para as políticas primitivas.

Grato pelo espaço.

Luiz Fernando Oliveira disse...

Irmão João Cruzué, tentei não comentar sua postagem, mas é impossível, seus argumentos são EXTREMAMENTE falaciosos, eles podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não tem validade lógica. Eu infelizmente me imaginei sendo você lendo Nietzsche, se é que você leu, mas deve ter sido torturante, e o triste nisso é que a filosofia de Nietzsche diz SIM a vida, e ver o quanto isso te contrariou que te levou a usar tantas falácias em um só lugar, ou quando não falácias, argumentos tão baixos é realmente triste.
Mas eu não sou um cristão então não vou te machucar com palavras, afinal você é uma ovelha não é de estranhar que as ovelhas não gostem de aves predadoras, mas isso não é motivo para culpar as grandes aves predadoras de carregarem as ovelhas. E não há nada intrinsecamente errado no argumento das ovelhas quando elas sussurram entre si, "Estas aves predadoras são más, não podemos dizer, portanto, que o oposto de ave predadora deve ser bom?". As aves predadoras ficam um tanto intrigadas e dizem, "Não temos nada contra estas boas ovelhas; de fato, nós gostamos muito delas; nada é mais saboroso do que uma ovelha de carne macia"
A respeitos dos cristãos, foram, até agora, o «ser moral», uma curiosidade sem igual – e, como «ser moral», mais absurdo, mais mentiroso, mais vaidoso, mais frívolo, mais PREJUDICIAL PARA SI MESMO do que também o poderia sonhar para si mesmo o maior desprezador da humanidade. A moral cristã – a mais maléfica forma da vontade de mentira, a genuína Circe da humanidade: EIS O QUE A CORROMPEU.

Usei trechos de A Gaia Ciência e esse ultimo sobre os cristãos é do livro Ecce Homo, dê uma lida lá com a mente leve e livre e um pouco de amor próprio e talvez o Sr. ainda aprenda a amar a vida e não fujir tanto assim dela.

Luiz Fernando Oliveira.