domingo, fevereiro 17, 2019

Âncora segura na pós-modernidade

Cristo na Tempestade - Pintura de Rembrandt

Por: João Cruzué

O desencanto da sociedade com a religião e depois com a ciência é a principal característica da pós-modernidade. E não parou por aí. No rastro destes dois pilares seguiu-se a política, a justiça e a imprensa.  Assim como na época do Renascimento, um espírito de inconformismo e insatisfação paira sobre tudo e todos,  até mesmo sobre a própria pós-modernidade.

Posso comparar esta época com a situação enfrentada por alguns pescadores no Mar da Galileia, há dois milênios, onde a a fúria do mar e a força do vento, que pareciam incontroláveis, se acalmaram pelo som das palavras de um homem.

Quero começar com a  Operação Lava-Jato, um dos agentes da pós-modernidade no Brasil. Ela desnudou e vem  desnudando com fotos, vídeos e gravações a forma centenária de como o poder do dinheiro vem comprando a consciência dos políticos no Brasil - aos MILHARES. desencanto. A forma como o Ministério Público tratou dos acordos de delação levou o Judiciário a aplicar penas brandas a grandes larápios do dinheiro público. Transparência e desencanto como os agentes da Lava-Jato.

A Igreja Evangélica, minha casa, também enfrenta os efeitos da pós-modernidade. A forma com que algumas denominações "arrecadam" os recursos do bolso dos fiéis é uma ofensa à prudência paulina dos capítulos 8 e 9 da II Carta aos Coríntios. Desde quando o Apóstolo Paulo, em nossos dias, ira tomar os dízimos e ofertas do povo de Deus para comprar uma rede de TV para transmitir novelas, filmes e programas indecentes? De que livro da Bíblia Sagrada veio a inspiração para Igrejas fundarem partidos políticos seculares? Com que autoridade um Pastor Presidente pode aparecer em um culto de Santa Ceia para apresentar pastores ou familiares a pré-candidatos a cargos de representação política? Não deviam eles anunciar nestas ocasiões e lugares um plano nacional de evangelização ou um novo campo de atuação missionária? Transparência e desencanto.

A Ciência que "deveria" soterrar a religião, empacou no sequenciamento do DNA humano. Depois de "sequenciado" trouxe mais dúvidas que certezas. O câncer ainda não tem cura, a AIDS ainda não tem cura. A tuberculose nunca esteve matando tanto. E no Brasil a febre amarela e o sarampo estão de volta. A Ciência não deveria ser ter a solução para toda espécie de males? E o que dizer da comunicação na era digital? É só olhar na hora do rush dentro dos trens e dos metrôs e principalmente em suas escadas: zumbis abstraídos com seus smartphones. Houve um recrudescimento da comunicação. As pessoas estão perdendo a sociabilidade, principalmente dentro dos lares. Ninguém tem mais paciência para conversar com ninguém. No meio cristão, é uma dificuldade reunir a família para orar na hora do almoço. Cada um está recolhido em seu espaço manuseando o seu celular. Não sabemos ainda aonde isso vai dar. Estamos cheios de problemas e comendo mal, perdoe-me a indiscrição: comendo porcaria. Uma quantidade enorme de substâncias químicas na carne, nos vegetais, na água, nos produtos enlatados. Nunca tivemos tanta alergia. E as bulas de remédios, cada vez maiores. Na verdade, grande parte das descobertas científicas está sendo aplicada na produção de bens de uso e consumo humano. Faturamento. A sociedade esperava mais.

Quanto à imprensa, jornal, rádio e TV, é 99% tendenciosa. Mostra a informação sob o ângulo que lhe convém. Muitos jornalistas falam aquilo que a audiência quer ouvir e escamoteiam a verdade. A transparência completa  é algo que ainda precisa ser incorporado ao processo de informação dos fatos à sociedade brasileira na era das páginas eletrônicas.  Gilberto Mendonça Teles (2010), registrou um fato interessante ao notar que os dicionários nem sempre reservaram um verbete especial para o termo transparência [1]. Para defini-lo com a profundidade exigida,  buscou auxílio no Dicionário dos Sinônimos - Poético e de Epítetos da Língua Portuguesa de Roquete & Fonseca (1848). Lá,  encontrou o seguinte:
A água é clara, quando nenhuma substância a turva; é diáfana, quando permite a passagem dos raios de luz, mas só é transparente quando permite a visão completa dos objetos que nela estão contidos.
Diante desses conceitos, não é possível dizer que há transparência em todos os fatos noticiados pela imprensa devido à manipulação.

O Judiciário brasileiro, principalmente o que está instalado nas grandes capitais, é a esfera de poder no Brasil que, segundo a grande imprensa, recebe remuneração, benefícios e aposentadoria acima dos limites impostos pela própria Lei. Transparência e desencanto.

Depois de ter se desencantado com tudo e com todos, chegou a vez da própria pós-modernidade. Sua visão crítica expôs a nudez de todas as áreas. A sociedade, sob está ótica,  passou a observar as mazelas e idiossincrasias de religiosos, cientistas,  políticos, juízes e jornalistas. O resultado disso é um comportamento individualista e consumista. O novo fica velho em menos de um ano. A descartabilidade de tudo.  A pós-modernidade é um pensamento que mostrou o cisco no olho das instituições sociais, sem dar nenhuma referência em troca. As instituições coletivas tiveram suas vidraças quebradas mas o indivíduo está se desgarrando e ficando solitário. Desagregação social.

E o cristão dentro da Igreja, diante de tudo isso, não está imune à fúria do mar e a força contrária do vento. A palavra de Deus ainda é o nosso referencial e a nossa âncora em meio à tempestade.  Entre tantos outros textos, citarei este, um dos meus preferidos: primeira Carta de São João, 2,  assim está escrito:
15 Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 
16 Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. 
17 E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
18 Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora.
19 Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.
20 E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo.
21 Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade.

 O mundo passa, mas a Palavra de Deus permanece. Em meio às tempestades de quaisquer eras eu continuo ancorado nestes belos versos do Salmo 46:
DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.  Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não se abalará.

SP 03/1/18.









sexta-feira, janeiro 25, 2019

MAIS UMA OBRA DA VALE - ROMPIMENTO DA BARRAGEM MINA CÓRREGO DO FEIJÃO


Lama da Barragem da Vale do Rio Doce no Córrego do Feijão em Brumadinho-MG

Por João Cruzué

Análise  do  Blogueiro:

Você sabe quantas barragens prontas para mais um desastre existem na região do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais? Não é muito difícil contar. Basta abrir o Google Maps e  ver as fotos do satélite.  Em três anos já foram dois desastres. As barragens da SAMARCO em Mariana e as três barragens da VALE DO RIO DOCE que estouraram hoje em Brumadinho. As serras das Alterosas estão cheias de feridas profundas. Dali saem todo dia, toneladas e mais toneladas de minério. O preço de cada tonelada de pelotas com teor de 62% de ferro, exportada em janeiro/2019, colocada lá no porto de Shangai, é de aproximadamente R$ 275,00 (USD 72.97 x R$ 3,77). 

Se você tirar  dessa receita  de R$ 275,00 os custos de:

1. Extração do minério, 
2. Lavagem do cascalho,
3. Transformação em pelotas, 
4. Custo de manutenção das barragens,  
5. Transporte até o porto de Tubarão em Vitória-SP, 
6. Transporte de navio até o porto de Shangai na China.

Acho que resta lucro algum. A não ser que você reduza custos em alguma dessas fases. Por exemplo, na manutenção das barragens. Dessa forma, quem sabe sobre uns 2 centavos! Naturalmente, estou sendo muito otimista.

De estouro em estouro de barragens, de mara de lama em mar de lama, de Bento Rodrigues em Bento Rodrigues, de Pousada Nova Estância em Pousada Nova Estância, a conta da economia  em manutenção de barragens A Companhia Vale do Rio Doce e afins,  vão formando uma reserva que dá e sobra para cobrir eventuais contenciosos.

Por outro lado, anote aí: foi dada a largada para mais uma enxurrada de multas de tudo o que órgão governamental. É nestas ocasiões que estes órgãos de faz-de-contas enganam o educado povo mineiro com discursos hipócritas e multas de mentirinha. Vez ou outra, para não exagerar, a Vale e afins sacam da economia de custos obtidas na manutenção das barragens, e dão de lambuja alguma micharia.

Alô! Presidente Bolsonaro. Alô! Governador Zema. Vossas Excelências já mandaram calcular qual é o lucro que o Brasil tem com estas crateras nas montanhas das Gerais? Se esta "porcaria" dá prejuízo, manda fechar! Talvez saia mais barato.

Agora, veja as grandes  obras da Vale do Rio Doce:


1. MINA CÓRREGO DO FEIJÃO EM BRUMADINHO/MG - Crédito GOOGLE


2.  A DESTRUIÇÃO DA POUSADA NOVA ESTÂNCIA 


3. O CAMINHO DA LAMA ATÉ O RIO PARAOPEBA


ABAIXO, SEGUEM AS FOTOS DA  EXTINTA POUSADA NOVA ESTÂNCIA
QUE O ESTOURO DAS 3 BARRAGENS DA MINA DO CÓRREGO DO FEIJÃO
DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE.

(Crédito - Pousada Nova Estância)











Veja  mais fotos horripilantes obtidas pelo Jornal Estadão
Galeria de Fotos do Estadão


Infelizmente, daqui a algum tempo, teremos mais tragédias.
Se vai ser feito alguma coisa, sinceramente?
Acho que não.


Obs.: Estes dias, estive em Ibirité - a  uns 30 km de Brumadinho.